sábado, 21 de novembro de 2020

Anna Júlia, Billie Jean, Eduardo e Monica e mais. Essas pessoas realmente existiram?

Músicas com nome de pessoas tem aos montes, algumas são piadas e outras são homenagens sinceras, mas a pergunta sempre fica no ar: afinal, de quem eles estão falando?
Confira nessa matéria a história por trás de algumas das músicas mais famosas do mundo e veja se os homenageados realmente existiram.

 
Uma das canções mais famosas da carreira de Michael Jackson foi sem dúvida "Billie Jean". Na música ele conta a história de uma garota que tenta engana-lo dizendo que ela estava grávida dele, ele diz isso no famoso refrão "Billie Jean não é minha amante/É só uma garota que diz que sou o cara/Mas a criança não é minha/Ela diz que sou o cara, mas o garoto não é meu filho."
Com uma letra tão forte muitos fãs se perguntaram se Billie Jean era uma mulher de verdade, e a resposta é sim e não.
Billie Jean foi inspirada nas groupies, mulheres cuja missão na vida é fazer sexo com cantores famosos. De acordo com o próprio Michael, várias delas acabavam acusando os cantores (incluindo seus irmãos) de serem pais de seus filhos, assim elas ganhavam dinheiro fácil e ficavam famosas na mídia.
Segundo rumores, em 1981 o próprio Michael recebeu uma carta de uma mulher (ou ela apareceu de surpresa em sua casa dependendo da fonte) dizendo que ele era o pai de seus gêmeos. Como ele sempre recebia esse tipo de carta ele ignorou ela. No entanto, ela continuou enviando cartas afirmando que ela o amava e queria estar com ele, e perguntando como ele poderia ignorar sua própria carne e sangue. As cartas o perturbaram tanto que ele sofreu pesadelos por causa delas. 
Eventualmente, Jackson recebeu um pacote contendo uma fotografia da  mulher, uma arma e uma carta instruindo-o a se matar em um determinado momento. A fã faria o mesmo assim que ela matasse o "seu" bebê, para que pudessem estar juntos na próxima vida. Os Jacksons mais tarde descobriram que a fã tinha sido enviada para um hospital psiquiátrico. 
Apenas dois anos depois Michael lançou a música Billie Jean, em sua autobiografia Moonwalk, Jackson disse que Quincy Jones queria mudar o título para "Not My Lover", porque ele achava que as pessoas confundiriam a mulher da música com a estrela do tênis Billie Jean King. Jackson acabou vencendo essa batalha. De onde ele tirou o nome porém, ninguém sabe.

"Anna Júlia" até hoje é o maior sucesso da carreira do Los Hermanos, mas quem diabos foi essa mulher e ela realmente existiu?
A resposta é sim! A letra da canção foi escrita por Marcelo Camelo, e fala sobre uma menina que na vida real se chamava Anna Júlia Werneck, estudante de Jornalismo da PUC-Rio, por quem o então produtor da banda Alex Werner era apaixonado. Camelo queria ajudar o seu amigo a se declarar com grande estilo e escreveu a música pra ele.
Não precisa nem dizer que na época de seu lançamento a música fez um enorme sucesso e era escutada em todas as rádios do Brasil. E não só no Brasil mas em todo mundo, a música ganhou versões em outras línguas e foi até regravada pelo ex-Beatle George Harrison.
Mesmo com tudo isso Anna Júlia e Alex não namoraram por muito tempo, "Fiquei emocionada quando ouvi a música em casa. O namoro não deu certo, não começou direito. Éramos muito tímidos", lembra a jornalista. 
Pra piorar apenas dois anos depois do sucesso da música a mulher começou a namorar um ex-baixista da banda... pobre Alex.

"Eduardo e Mônica" é uma canção composta por Renato Russo e lançada em 1986, no álbum Dois, da banda Legião Urbana. A canção, uma das mais famosas da banda, narra em quase cinco minuto a história de amor de duas pessoas muito diferentes entre si. Mas essas pessoas eram de verdade?
Infelizmente não eram, segundo Russo a Mônica era inspirada em Leonice de Araújo Coimbra, artista plástica, com quem ele namorou no final da década de 70, e ele mesmo serviu de inspiração para o Eduardo. Em uma entrevista concedida em 1995, Renato Russo disse: 
"Eu morava sozinho e namorava uma menina com filhos, a Lea [Coimbra]. Isso era 77,78. É ela a Mônica da música, e eu sou o Eduardo, só que menos bobo. É, eu lia, não era aquela coisa clube e televisão da letra."

"Sandra Rosa Madalena" é com certeza a cigana mais famosa do Brasil, criada por Sidney Magal em 1978 a canção rapidamente se tornou o maior sucesso de Magal.
Segundo o músico porém essa cigana em particular nunca existiu, seu nome é apenas a junção de nomes que eram populares no Brasil na década de 70:
"Foi ideia do meu empresário, meu produtor, compositor de Sandra Rosa Madalena, juntar três nomes muito populares no Brasil e formar uma cigana fictícia, que seria a musa verdadeira da música. Hoje em dia ela já existe. Algumas pessoas colocaram os nomes das filhas de Sandra Rosa Madalena. Já encontrei pelo menos umas cinco", disse Magal em entrevista.

"Kim" é considerada a música mais violenta do rapper Eminem, nela ele mata e enterra a Kim da música depois de ameaçar e torturar ela, que pode ser ouvida chorando no fundo da canção. 
Assim como muitas das canções do Rap God ele se inspirou na vida real pra criar a música. "Kim" era sua famosa ex-esposa (que aparece em várias músicas do rapper) chamada na vida real de Kimberly Anne Scott.
Ela era viciada em drogas e traiu Eminem várias vezes, mesmo assim eles se casaram (e se divorciaram) duas vezes e tiveram uma filha juntos. Eminem até chegou a adotar oficialmente a sobrinha de Kim e outra filha que ela teve com um amante, já que ela não era estável e responsável o suficiente pra cuidar das garotas.

"Lady Laura", uma música clássica do cantor Roberto Carlos, e quem é fã dele já sabe a resposta. Sim! Laura realmente existiu e ela era ninguém menos do que a mãe de Roberto Carlos.
Laura Moreira Braga, também conhecida como Lady Laura, foi uma costureira brasileira. Laura teve quatro filhos: Roberto Carlos, Lauro Roberto, Carlos Alberto e Norma. Ela tocava violão na adolescência. 
Foi ela quem em 1954, matriculou seu caçula, Roberto Carlos, no Conservatório de Música de Cachoeiro, onde o garoto aprendeu seus primeiros acordes musicais. Ela queria que ele fosse médico, mas ele com apenas 9 anos já cantava nas rádios capixabas e decidiu ser cantor.
Em 17 de abril de 2010 Laura morreu aos 96 anos, devido a uma pneumonia, dois dias antes de seu filho Roberto completar 69 anos de idade.

"Bete Balanço" do Barão Vermelho foi lançada em 1982. Mas quem era essa Beth? Na verdade ninguém em especial. 
A música foi escrita para o filme Bete Balanço, a Beth da música era a a personagem de Débora Bloch, uma jovem que vai para o Rio de Janeiro para tentar seguir a carreira de cantora.

"Maria Maria", a letra retrata a história de Maria, que tem três filhos e morava na beira do trilho de trem. Ela colocava os filhos para estudar mesmo com todas as dificuldades. E a personagem realmente existiu.
Segundo Milton Nascimento, a personagem "é um exemplo para a alma de cada um", mas ela foi inspirada em uma Maria de verdade:
“Ela tinha gana e botava os filhos para estudar. Ela cuidava deles e eu não faço ideia como. A história dela é muito bonita. Eu não a conheci, mas o Fernando (Brant) conheceu”, contou Milton.
Curiosamente a mãe de Milton se chama Maria do Carmo, mas se ela teve ou não algo a ver com a inspiração da música o cantor nunca disse.

"Richard Cory" da famosa dupla Simon e Garfunkel pode não ser a música mais famosa deles, mas ela fez sucesso mesmo assim.
Lançada em 1966 a letra da canção conta a história de Richard Cory da perspectiva de um dos homens que trabalha em sua fábrica. O operário tem inveja de Cory, que tem tudo que um homem pode querer, acreditando que seu chefe é um homem satisfeito. No fim da canção o trabalhador descobre que Cory se suicidou. Mesma assim o trabalhador ainda "amaldiçoa a pobreza [do trabalhador]", e ainda preferiria ser Richard Cory.
Mas quem foi Richard Cory, e ele realmente se matou? A música na verdade foi baseada no poema de 1897 do autor Edwin Arlington Robinson chamado "Richard Cory".
Não se tem certeza se o autor realmente conheceu um homem com esse nome devido a idade do poema, mas sabe-se que Cory era na verdade a personificação do "Pânico de 1893", uma crise econômica que atingiu os E.U.A até 1897, o mesmo ano que o poema foi lançado.

Em 1987 a banda de rock Guns N' Roses lançou sua canção "My Michelle", nela vemos uma história detalhada da vida dessa tal Michelle, tanto o lado bom quanto o ruim.
A música é na verdade sobre uma amiga da banda, Michelle Young, que chegou a ser agradecida na capa do álbum Appetite For Destruction. 
Slash conheceu Young durante o ensino médio, ela era amiga da primeira namorada do guitarrista. De acordo com Axl Rose, ele e Young estavam em um carro juntos quando "Your Song", de Elton John, apareceu no rádio e Young "aconteceu" de mencionar que ela sempre quis que alguém escrevesse uma música sobre ela, Axl não pensou duas vezes e foi trabalhar na canção da moça.  
A primeira tentativa de Rose foi uma música romântica, mas que não tinha absolutamente nada a ver com a realidade da vida de Michelle. Ele estava insatisfeito com esta versão e a reescreveu completamente, desta vez buscando ser completamente honesto.
Vários membros da banda expressaram preocupação com esta versão da música, especialmente Slash, temendo que a verdadeira Michelle não fosse gostar de ser exposta dessa jeito. O próprio Axl se tornou hesitante, mas finalmente decidiu mostrar a ela a canção antes de lança-la nas rádios. Para a surpresa da banda ela gostou da música, e ficou especialmente satisfeita com a sua honestidade, principalmente em relação ao seu vício em drogas, a morte de sua mãe e o trabalho de seu pai na indústria pornográfica, todos mencionados dentro do primeiro verso da canção. 
De acordo com a autobiografia auto-intitulada de Slash, Young conseguiu se livrar das drogas e viajou pelo país para escapar de seu estilo de vida.

Os Beatles adoravam colocar o nome de mulheres em suas músicas. Sério! Eles tem mais de 10 músicas assim. Mas hoje vamos focar no seu sucesso "Eleanor Rigby" de 1966.
Embora a música tenha um tom pessoal, e embora tenha um túmulo com esse nome no cemitério da igreja onde Paul McCartney e John Lennon se encontravam quando adolescentes, a Eleanor nunca existiu. Segundo Paul tudo foi uma grande coincidência.
A música na verdade passou por vários estágios de desenvolvimento. McCartney disse que quando se sentou ao piano pela primeira vez, ele tinha o nome Miss Daisy Hawkins em mente. Mais tarde, ele mudou para Eleanor, em homenagem a atriz Eleanor Bron, que estrelou com os Beatles no filme Help! 
O sobrenome da personagem em um estágio foi Bygraves, de acordo com Spencer Leigh, autor do livro dos Beatles, "Love Me Do to Love Me Don't". Mas McCartney mais tarde mudou isso para Rigby, inspirado por uma loja que ele tinha visto em Bristol chamada Rigby & Evens Ltd, Wine & Spirit Shippers. 
"Eu simplesmente gostei do nome", disse ele em 1984. "Eu estava procurando um nome que soasse natural. Eleanor Rigby parecia natural... Eleanor Rigby é um personagem totalmente fictício que inventei".

"My Sharona" é o maior sucesso da carreira da banda The Knacks, lançada em 1979 ela atingiu o número 1 na parada de singles da Billboard Hot 100, onde permaneceu por 6 semanas, e foi a número 1 na parada de final de ano da Billboard em 1979 no Top Pop Singles.
Quando o vocalista Doug Fieger tinha 25 anos, ele conheceu Sharona Alperin, de apenas 17 anos (e que já tinha um namorado na época), que inspirou incríveis 2 meses de composições, além de se tornar a namorada de Fieger pelos próximos quatro anos. 
Fieger contou que "era como ser atingido na cabeça com um taco de beisebol; eu me apaixonei por ela instantaneamente. E quando isso aconteceu, provocou algo e eu comecei a escrever muitas músicas febrilmente em um curto espaço de tempo". 
O guitarrista Berton Averre era originalmente contra a usar o nome de Sharona na canção, mas Fieger queria que fosse uma expressão direta de seus sentimentos, Averre finalmente cedeu. Fieger ainda afirmou em entrevistas que "My Sharona" foi escrito em apenas 15 minutos.
O relacionamento porém não durou muito, mesmo assim eles permaneceram amigos pela vida toda até a morte de Fieger em 2010, e a Sharona de verdade até apareceu na capa do álbum da banda.

"Stan" é um dos grandes sucessos da carreira de Eminem, a música lançada em 2000 fala sobre um fã obsessivo chamado Stan, que manda várias cartas ao rapper, no fim o fã mata sua namorada e comete suicídio, só então é que Eminem tem tempo para responder suas cartas, mas rapidamente percebe que é tarde demais. 
A música ficou tão famosa que a palavra Stan entrou no dicionário Oxford em 2017 como um substantivo e um verbo, com a definição: "Um fã (ou ser um fã) excessivamente zeloso ou obsessivo com uma celebridade em particular". Mas esse cara doido realmente existiu?
Ainda bem que não, de acordo com o rapper o personagem é apenas uma referencia aos milhões de fãs obsessivos que existem por aí, já o nome Stan ninguém sabe de onde veio, mas alguns dizem que é porque ele é uma mistura das palavras "Stalker" (perseguidor) e "Fan" (fã).

Em 2015 o rapper Hopsin lançou sua música estilo comédia "Ramona", a música basicamente é uma mistura de "Stan" com "Billie Jean", ela fala sobre uma fã obcecada com o rapper que persegue ele em suas turnês para tentar dormir e engravidar dele. 
Em julho de 2015 o rapper foi perguntado por um fã no Twitter se a música foi inspirada em alguém de verdade, o rapper respondeu que ela foi inspirada em vários encontros com várias groupies diferentes.

 
Mais uma do Rei do Pop, embora a música "Smooth Criminal" de 1987 não tenha nome de gente, seu famoso refrão trás as palavras: "Annie, você está bem, você está bem, está bem, Annie?". Então afinal, quem diabos é Annie e ela existiu de verdade, e mais importante... ela está bem? Essa resposta você nunca iria adivinhar, Annie realmente existiu mas ela nem era humana!
Annie é uma referencia a Resusci Anne, uma boneca usada em treinamentos de ressuscitação cardiopulmonar, um treinamento que Michael Jackson tinha feito de acordo com alguns rumores. 
Durante esse treinamento os alunos devem perguntar a boneca se ela está bem dizendo a famosa frase "Annie você está bem?", isso é para treinar eles a conversarem com o paciente evitando que ele durma e para averiguar melhor a situação deles.

"I'm In Love With My Car" ("Eu Estou Apaixonado Pelo Meu Carro") é mais uma música que não tem nome de gente, e não fala sobre um humano. É verdade que a banda Queen não costumava batizar canções com nomes de verdade, mas essa música romântica aqui merece uma olhada mais de perto. Afinal que carro é esse que merece uma canção inteira em sua homenagem? 
Por mais estranho que pareça a música não era apenas uma piada, ela realmente foi inspirada por um carro de verdade, um carro esportivo da marca Triumph TR4. Embora a canção seja escrita e cantada por Roger Taylor não era ele que estava apaixonado pelo carango. 
A letra foi inspirada por um dos roadies (técnicos) da banda, Johnathan Harris, cujo Triumph TR4 foi evidentemente o "amor de sua vida". A música é dedicada a ele, com o encarte dela mencionando: "Dedicado a Johnathan Harris, piloto até o final".
Mas como diabos Taylor convenceu Freddie Mercury a colocar essa musica no lado B do álbum? Segundo alguns rumores ele se trancou em um armário até Freddie concordar com ele. 
Curiosamente a música acabou recebendo criticas melhores na época do que o lado A do álbum "Bohemian Rhapsody". A canção ficou ainda mais famosa depois que o filme da banda de 2018 fez várias piadas com ela.

"Johnny B. Goode" é uma canção de rock escrita em 1955 por Chuck Berry e lançada por ele próprio em 31 de março de 1958. A canção se tornou uma das mais populares dos anos 50. A letra fala sobre um jovem cantor em início de carreira, mas esse cantor existiu mesmo?
Sim! E ele cantou a música também. Segundo Berry a canção é parcialmente autobiográfica e as letras originais se referiam a Johnny como um "menino de cor", mas ele mudou para "menino do interior" para garantir que as rádios não banissem a música.  
Além de sugerir que o músico é bom, o título sugere elementos autobiográficos, por exemplo Berry nasceu no endereço 2520 Goode Avenue, em St. Louis.  
Já o nome Johnny é porque a canção foi inicialmente inspirada por Johnnie Johnson, o pianista regular da banda de Berry.

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