segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

De onde vieram as cantigas de roda?

As cantigas de roda, também chamadas de cirandas, fizeram parte da infância de muita gente, você se lembra de "Ciranda, cirandinha"? Ou talvez "Escravos de Jó, jogavam caxangá"? Mas você tem ideia de onde essas cantigas vieram, ou o que elas realmente significam? Pois você vai ver tudo isso nessa matéria a seguir. E não esqueça de deixar a sua curtida em nossa página oficial antes de começar a ler. Preparados? Então vamos lá!

Cantigas de roda

As cantigas mais populares no Brasil hoje em dia têm origens europeias, mais especificamente elas vieram de Portugal e também da Espanha. Elas chegaram aqui na época da colonização e nunca mais saíram do nosso país. Esse tipo de brincadeira já era moda na Europa em 1820, mas as cantigas em si são muito mais antigas do que isso. As primeiras coleções de cantigas em inglês foram publicadas no livro "Tommy Thumb's Song Book" e em sua sequência, "Tommy Thumb's Pretty Song Book", ambos foram publicadas por Mary Cooper em 1744.
Acredita-se que as primeiras cirandas eram na verdade músicas de ninar, feitas especialmente para as crianças dormirem, mas, conforme as crianças envelheciam, elas provavelmente continuavam cantando as canções como uma forma de brincadeira, criando novas versões usadas apenas para brincar.
É comum que cada país tenha as suas próprias versões da mesma música ou músicas exclusivas, isso porque essas canções são parte do folclore do país, e  muitas vezes elas só fazem sentido para quem mora ali.
Mas, agora que você já sabe de onde elas vieram, vamos focar em 5 das canções mais populares do Brasil, explicando um pouquinho sobre elas. Lembrando que cada canção tem umas 50 versões diferentes hoje em dia, então vamos focar apenas nas mais antigas delas.

Ciranda Cirandinha

"Ciranda Cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar
O Anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou"

Você já deve ter se perguntado o que era uma "Ciranda" antes não é mesmo? A Ciranda é europeia, a palavra em si provém da Espanha, originada de "zaranda", que era o nome de um instrumento para peneirar farinha. O nome passou a ser usado para descrever um tipo de música de ritmo lento e repetido, letra fácil e que normalmente é cantada e dançada em uma roda. O fato da música ser fácil de ser criada e memorizada fez ela perfeita para crianças.
Esse tipo de música ficou muito popular no Brasil em Pernambuco, 
mais precisamente na Ilha de Itamaracá, através das mulheres de pescadores que, segundo algumas fontes, cantavam e dançavam a Ciranda esperando seus maridos chegarem do mar. Também é possível que o fato desse tipo de canções serem cantadas por esposas é que tenha influenciado os últimos versos da cantiga original sobre o amor que se acabou.

Escravos de Jó

"Escravos de Jó, jogavam caxangá
Tira, põe, deixa ficar!
Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá 
Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá!"

Afinal quem é Jó? Porque ele tinha escravos? O que é um caxangá? São tantas perguntas sobre essa simples música, mas vamos por partes. O Jó citado na canção é o Jó do Antigo Testamento, que foi posto à prova por Deus e perdeu tudo o que tinha, exceto a sua fé, quando Deus deixou que o Diabo matasse todos os seus filhos, rebanho e também o deixasse doente. Só que tem um porém, Jó nunca teve escravos na Bíblia. A parte de escravos é uma referência aos africanos que vieram acorrentados para o Brasil durante a colonização, é provavelmente deles também que fala a linha "Guerreiros com guerreiros, fazem zigue zigue zá", que seria uma referência aos africanos escapando de seus mestres e perseguidores. 
Já caxangá não quer dizer nada, isso não é um jogo nem nada do tipo, é uma palavra sem significado algum, mas ela pode ter vindo do tupi "caa çanga", que significa "mata extensa".
Em outras palavras, a música não significa absolutamente nada, ela é apenas uma série de rimas fáceis, mas sem nenhum significado concreto por trás.

O Cravo e a Rosa


"O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada
O cravo ficou doente
E a rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio
E a rosa pôs-se a chorar"

Essa aqui é fácil de entender não é? O Cravo e a Rosa são metáforas para um homem e uma mulher, então a única pergunta de verdade é porque essas duas flores são um casal? A resposta é antiga, lá do século XII, onde a rosa e a gillyflower (o nome do cravo na Europa) foram exigidas, segundo algumas fontes históricas, pelo proprietário do terreno onde a Abadia de Waterbeach foi construída. As flores ainda aparecem juntas no emblema da estação da RAF Waterbeach em Cambridgeshire e, posteriormente, no emblema do 39° Regimento de Engenheiros do Quartel de Waterbeach. Ou seja, o cravo e a rosa são um casal bem antigo.

Sapo Cururu

"Sapo-cururu, da beira do rio
Quando o sapo canta, 
menina é porque tem frio"

O que exatamente é um sapo-cururu? Na verdade esse tipo de sapo realmente existe, só que hoje em dia ele é mais conhecido como sapo-boi, mas também é chamado de Rhinella marina ou sapo-cururu. Ele é nativo das Américas Central e do Sul, por isso é provável que essa versão da canção seja 100% brasileira, e não tenha vindo da Europa.
Já a parte do sapo cantar não tem nada a ver com a realidade, sapos "cantam" por motivos territoriais e de acasalamento, não tendo nada a ver com o frio.

Capelinha de Melão

"Capelinha de melão
É de São João
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão
São João está dormindo
Não acorda, não
Acordai, acordai, acordai, João!"

Primeiro de tudo, São João é claramente uma referência a João Batista, conhecido por ter batizado Jesus Cristo na religião católica. Já "capelinha de melão" não é literalmente uma capela religiosa feita de melão, "capela" é o nome dado para uma coroa de flores, principalmente em certas regiões de Portugal, então "capelinha" é uma pequena coroa de flores, nesse caso feita com rosas, cravos, manjericão e as folhas do melão. Só que devido a popularidade da música muitos religiosos se enganaram e passaram a fazer capelas usando um melão cortado junto com a foto do Santo, criando uma confusão gigante.

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