segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Conheça todos os Orixás e as suas origens

Iemanjá, Ogum e Oxalá, você com certeza já ouviu falar ou até fez um pedido a um deles, então sejam bem-vindos a essa matéria especial onde você vai descobrir tudo sobre a cultura dos Orixás, divindades africanas que ficaram populares no Brasil graças a religiões como a Umbanda e o Candomblé. Mas antes de começarmos existem algumas coisinhas que vocês tem de saber:
Primeiro, diferentemente do catolicismo, judaísmo e islamismo os africanos não tem um livro sagrado que dita sua história e dogmas, os Orixás e sua religião inteira eram algo passado oralmente de geração para geração. Em outras palavras, existem centenas, se não milhares de histórias e versões diferentes dos Orixás por aí, com mais de 400 deles existindo na 
mitologia iorubá, que é a religião onde eles "nasceram", então nós iremos focar apenas nas principais divindades nessa matéria.
Segundo, devido a colonização da África e a escravidão, muitos desses mitos foram perdidos para sempre, já que negros africanos eram catequizados contra a sua vontade, então é impossível dizer com certeza onde cada um desses mitos nasceu, nós só podemos rastrear suas origens até certo ponto da história.
Bom, agora que você sabe tudo isso vamos começar!


Exu é o orixá da comunicação e da linguagem, em outras palavras ele é o mensageiro entre os seres humanos e as divindades africanas, e não, esse aqui não é o mesmo Exu da Umbanda, aquele é um espírito, também chamado de Catiço, esse aqui é o original, do povo iorubá. Segundo os costumes, como é ele que leva as mensagens para os outros Orixás, toda oferenda deve ser feita para ele primeiro, e depois para o outro ser divino.
Católicos confundiam o Exu com o Diabo, devido ao jeito brincalhão e irreverente do africano, o que ajudou a espalhar o mito que ele seria um orixá maligno, mas na África ele nunca foi do mal, apenas um brincalhão que gostava de se divertir.

Iemanjá, aquela que já fez muitas pessoas pularem 7 ondinhas independente da religião. Ela é a orixá da fertilidade, que antigamente era associada aos rios e corpos d'água em geral. Por representar a fertilidade ela também ficou conhecida em partes do mundo como a "mãe dos Orixás" mesmo ela não tendo dado a luz a todos eles. Ela também ficou conhecida por proteger as mulheres, especialmente as grávidas.
Curiosamente sua origem teve de ser mudada no Brasil, originalmente na África, Iemanjá é a divindade das águas doces, cultuada à beira do Rio Ogum, já no Brasil, o culto transferiu-se para o mar, porque rios e cachoeiras foram atribuídos a Oxum.


E falando em Oxum, quem é ele? Ou melhor, quem é ela? Assim como Iemanjá ela é a orixá da fertilidade e das águas, por isso muitos acham que elas são a mesma divindade, mas não é bem assim, Oxum também é a Orixá da vaidade, por isso é quase sempre retratada com muito ouro e pedras preciosas, ou vendo seu próprio reflexo por aí nas águas ou em um espelho.
Segundo algumas versão ela era uma igual de Xangô e ajudou a criar o mundo, em outras ela é apenas a filha de Iemanjá e Oxalá, sendo apenas uma das esposas de Xangô.

Xangô é o Orixá da justiça divina, dos raios, trovões e também do fogo. Segundo as lendas orais ele também já foi o Rei de Oió, um império da África Ocidental localizado no que é hoje o sudoeste da Nigéria e o sudeste do Benim, mas ninguém sabe se isso é verdade, é possível que um rei tenha pego o nome da divindade para se engrandecer aos olhos de seus súditos, e não a divindade ter sido um rei.

Oxalá, um nome que virou termo na boca do povo pra quando eles estão pedindo que algo aconteça, ele na verdade foi o Orixá responsável pela criação dos humanos e do mundo em si.
Na verdade existem dois Oxalás, sua versão mais nova é chamada de 
Oxaguiã, já sua versão idosa é chamada de Oxalufã. Como se isso não bastasse ele também é chamado de 
Obatalá, que é o mais velho de todos os Orixás e consequentemente o mais poderoso deles, chamado de "Pai dos Orixás" por muitos de seus seguidores.
Para honrá-lo as pessoas ficam em silêncio, já que a palavra é sempre dele, e se vestem de branco, que é a sua cor.
Ogum é o Orixá guerreiro, representando a luta e a guerra, por consequência disso também ficou conhecido por representar o ferro e é muitas vezes retratado como um ferreiro, sendo o protetor deles e também dos artesões.
Na religião iorubá ele é citado como o primeiro Orixá a descer ao reino de Ilê-Aiê (Terra), com o objetivo de encontrar uma habitação adequada para a vida humana, ele então recebe o apelido de Oriki ou Osin Imole, que significa "primeiro Orixá a vir para a Terra." Foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos iorubás.

Oxóssi é o Orixá da caça, das florestas, dos animais e do sustento, ele é responsável tanto pela fartura quanto pela fome.
Segundo lendas Oxóssi é o irmão mais novo de Ogum. Certa vez Ogum saiu para guerrear e Oxóssi ficou na tribo, porém, enquanto Ogum estava fora a sua tribo foi atacada e Oxóssi não sabia lutar, por isso não pôde defender seus compatriotas do ataque dos invasores. Após o retorno de Ogum ele viu toda a destruição causada a tribo e foi a procura do irmão. Ogum viu que era preciso treinar seu irmão para proteger a vila enquanto ele estivesse fora, pois Ogum é o Orixá da guerra e sempre que fosse preciso sair para guerrear era necessário que alguém cuidasse da tribo. Oxóssi foi então treinado pelo seu irmão para proteger todos. 

Obaluaiê sofre do fato dele ter muitos nomes, ele também é conhecido como Abalaú, Abaluê, Abaluiaê, Obaluaê e até Yorimá. Ele é na verdade o Orixá da cura, da terra e do respeito aos mais velhos. Suas cores são o vermelho e o preto mas não é incomum ver ele sendo retratado coberto de palha, mas por que isso? É que a palha da costa era muita usada em rituais africanos, ela era usada para representar a transcendência, imortalidade e reencarnação.

Nanã seria a mãe de Obaluaiê segundo algumas versões, ela é a Orixá da sabedoria e dos pântanos, mas seria muito vaidosa e por isso não é muito responsável. Ela também é considerada por muitos a Orixá da morte, por isso é representada ás vezes com sua roupa suja de sangue.

Oxumarê é o senhor das cobras e de tudo que é alongado. Como eu disse eles tem mais de 400 Orixás, então tem algo para todos. Mas o que é ser senhor de coisas alongadas? Isso quer dizer que ele manda por exemplo no cordão umbilical das pessoas, e ele até mesmo seria dono do arco-íris.
Diz a lenda que é ele um servidor leal de Xangô, e que seria encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do seu arco-íris.

Obá é a Orixá africana do Rio Oba, ou Rio Níger, e também a primeira esposa de Xangô. Ela seria uma guerreira e por isso é retratada usando vermelho, roxo ou rosa, e com um escudo e espada nas mãos. Ela é considerada mais forte do que muitos Orixás masculinos, por isso também passou a representar o feminismo.

Ibeji é na verdade o nome conjunto de dois Orixás gêmeos, também chamados de Yori. Como você deve ter imaginado eles protegem os gêmeos. Mas quais são seus nomes de verdade? Dá-se o nome de Taiwo ao mais novo e de Kehinde ao primogênito. Os iorubás acreditavam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, daí surgiu a hipótese dele ser o irmão mais velho.

Iroco é o Orixá da árvore sagrada, mas qual árvore? Depende da cultura, no Brasil ele representa a gameleira (Ficus insipida), já na África ele representa a Milicia excelsa.
Dizem que as relações humanas com esta divindade quase sempre se baseiam na troca equivalente: um pedido feito, quando atendido, sempre deve ser pago rapidamente, porque não se deve correr o risco de desagradar Iroco, pois ele costuma perseguir aqueles que lhe devem.

Iansã, ou Oiá, seria a Orixá das tempestades, raios, ventos e das almas dos mortos. Assim como a natureza essa divindade é imprevisível e impulsiva, ela também aparentemente é bem sexy, passando a representar a sensualidade feminina na cultura africana.

Logunedé é mais um Orixá da caça, mas pouco se sabe sobre ele, acredita-se que ele seja um guerreiro formidável mas baixinho, sim, ele é baixinho, tanto que muitos confundem ele com uma criança. Ele é tido como temperamental, bravo e impiedoso, mas é dono de uma beleza única, por isso muitas vezes ele é visto como transexual, sendo tanto homem quanto mulher.

Ossanhe é o senhor das ervas sagradas, que ele normalmente usa para curar os seus seguidores. Muitas vezes esse Orixá é representado tendo apenas uma perna, ele vive nas matas e é instável e emotivo, que seria o motivo pra ele preferir viver sozinho na natureza.

Ocô é o Orixá da agricultura, segundo lendas ele era um caçador pobre cujo único amigo era seu fiel cão, para passar o tempo ele tocava sua flauta de osso. Ele é muitas vezes confundido com Oxalá, já que eles se vestem de maneira parecida.

E por último nós temos Olodumarê, ele na verdade não é um Orixá, ele é o criador deles, o ser supremo dos iorubá, que criou o universo inteiro e delegou as funções de cada Orixá, por isso ele também é chamado de Olorum (Olórun), Senhor do Orum. Foi graças a ele que os humanos e o planeta foram criados. Mesmo assim ele é uma das divindades menos conhecidas dessa lista, com poucos cultos em sua homenagem sendo feitos.

Bom, agora que já falamos de todos os principais Orixás a única pergunta que falta é de onde eles vieram não é mesmo? Como já foi dito lá em cima todos eles vieram da religião iorubá.
Os iorubás vivem principalmente no sudoeste da Nigéria, sudeste de Benim e em menor número nas regiões do centro-sul do Togo, eles na verdade são o segundo maior grupo étnico da Nigéria, correspondendo a aproximadamente 21% da sua população total. Sua religião era rica em lendas e histórias, mas devido a
colonização hoje em dia eles são também católicos e muçulmanos.
Ironicamente foi graças a essa colonização e escravidão que suas lendas se espalharam para outros africanos e chegaram ao nosso país, na forma da Candomblé e Umbanda.
Sua religião não é formada apenas por Orixás, eles tem um sistema muito complexo que envolve lendas, histórias baseadas em acontecimentos reais, músicas, danças, sinais geomânticos e rituais que explicam quase tudo que ocorre no mundo. No fim eles conseguiram se espalhar até para locais como o Japão.
A referência textual mais antiga conhecida ao nome "ioruba" é encontrada em um ensaio intitulado Mi'rāj al-Ṣu'ūd, de um manuscrito escrito pelo jurista berbere Ahmed Baba no ano de 1614. O manuscrito original hoje é preservado no Instituto Ahmed Baba da Biblioteca Mamma Haidara, enquanto uma cópia digital está na Biblioteca Digital Mundial.

Bom é isso pessoal, esperamos que tenham gostado, se a resposta for sim deixe sua curtida aqui agora mesmo, nós agradecemos o apoio!

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