segunda-feira, 3 de maio de 2021

O código de honra dos criminosos

Você já deve ter ouvido que existe honra entre os criminosos ou algo do tipo, e, para o bem ou para o mal, isso é verdade. Nessa matéria especial você vai aprender um pouco mais sobre como funciona o relacionamento entre criminosos, sua hierarquia, suas regras não faladas, e como eles lidam com seus membros dentro e fora das cadeias.

Vamos começar com a Yakuza, uma sociedade criminosa japonesa que ficou conhecida por seus códigos de conduta rígidos, o que não é surpreendente já que essas organizações foram fundadas por ex-samurais, que levavam a honra muito a sério.
Dentro dessa máfia existe o chamado "yubitsume" (encurtamento de dedo), que é o ato de cortar o seu próprio dedo fora. Esses criminosos fazem isso para reparar um erro, como por exemplo, ter cometido um crime que não deveria ou ter ofendido um chefe. O dedo cortado é então dado de "presente" ao chefe como uma forma de pagamento por seu erro.
Mas, ao contrário do que mostram filmes e jogos, os yakuza não cortam seu dedo inteiro de uma vez, eles cortam apenas um pedaço, se eles cometerem mais erros, ai eles cortam mais pedaços, até cortar todo o dedo fora. Quando isso acontece eles começam a cortar outros dedos.

Essa prática é na verdade muito antiga. Como nós dissemos os yakuza vieram dos samurais (ou pelo menos eles acreditam que vieram), e a justificativa por trás do yubitsume pode ser encontrada nas tradições do combate samurai. 
Na prática, os últimos três dedos da mão são usados ​​para segurar a espada com força, enquanto o polegar e o indicador não são necessários da mesma maneira. Então eles acreditavam que a remoção do dedo mínimo enfraqueceria progressivamente o punho do agressor, tornando-o eternamente mais fraco devido aos seus erros.

E falando em máfias vamos agora para a italiana, cujo o código de honra é chamado de "Omertà" (humildade), e, similar ao que você já deve esperar, suas regras são bem claras.
O código é principalmente sobre família e silêncio, quem faz o juramento vira parte da família, ou seja, da organização criminosa, e durante a sua introdução o novo mafioso promete sempre obedecer sua nova "família", nunca cooperar com autoridades ou pessoas de fora dela e ignorar os crimes dos outros.
Quem quebra a omertà vira automaticamente um alvo para a máfia, com a retaliação variando de caso em caso, mas quase sempre levando a morte, mas nem sempre essa morte é da pessoa que traiu a família. Na máfia o que vale é "olho por olho, dente por dente", por isso quando um mafioso trai a sua nova "família", sua família antiga também viram alvos, a máfia vai atrás de sua mãe, pai, irmãos, primos, tios e qualquer um que eles encontrarem.

Já as gangues de rua seguem o que era chamado de "G Code", que pode significar "código do gueto" ou "código da gangue". Basicamente ele é um sistema de regras que cobrem o básico que você esperaria de qualquer gangue, como por exemplo nunca dedurar ninguém, não matar membros de sua própria gangue, não desrespeitar os outros, e nunca cometer crimes que você não recebeu ordens para cometer.

E você se engana se acha que quando um criminoso vai para a cadeia ele não tem mais de seguir as regras, é aí que as regras são realmente impostas. A seguir vamos falar de regras que se aplicam não apenas para a máfia italiana e japonesa mas para a maioria das organizações criminosas.
Primeiro de tudo criminosos não podem relatar nenhum crime que eles veem sendo cometidos do lado de dentro, do contrário eles tem de pagar com suas vidas. Fazer acordos com as autoridades também é uma traição. E eles nunca, mas nunca, podem falar abertamente sobre seus crimes com membros que não são oficialmente da organização.
Nenhum crime grande, como assassinato, amputação e tortura pode ser cometido do lado de dentro sem a aprovação de um chefe, se ele estiver preso as coisas ficam mais fáceis, se não estiver, os criminosos tem de esperar receber suas ordens antes de agir.

Na hora de dormir é muito comum em vários países que as celas não tenham camas suficientes para todos os presos, então a regra é clara, os chefes dormem no topo, os secundários embaixo, e os terciários no chão.
Mesmo assim é muito comum que alguns chefes prefiram dormir na beliche de baixo, isso porque eles tem medo de serem esfaqueados de surpresa no meio da noite por quem está na beliche de baixo.

Na cadeia é comum que as pessoas de uma mesma raça fiquem unidas, mesmo elas não querendo, por exemplo, muitos brancos se unem a gangues de supremacistas brancos mesmo eles não sendo racistas. Isso se tornou um grande problemas em prisões americanas e europeias, ainda mais porque em muitos casos quando uma pessoa se une a uma gangue, ela continua sendo dela mesmo depois de cumprir sua sentença.

Um grande problema então é quando as cadeias tem uma minoria, que mesmo se juntando não tem como se defender de outras gangues maiores, nesses casos é comum que raças diferentes façam alianças e acordos entre si, como por exemplo asiáticos e nativos americanos se juntando em um grupo maior.
Esses grupos menores são conhecidos como "os outros" e eles incluem em sua maioria: asiáticos, sul-asiáticos, judeus, ilhéus do Pacífico, árabes, turcos e nativos americanos.

Mas existe uma saída para não se juntar a uma gangue, a religião. Muitos líderes de gangue não gostam de recrutar religiosos, por isso muitos prisioneiros resolvem se juntar a um culto ao invés de uma gangue. Outros citam homossexualidade e crimes sexuais como motivos para não serem recrutados.

E falando em crimes sexuais, você já deve ter ouvido falar que estupros são comuns em cadeias não é mesmo? Mas você já se perguntou quais são as regras para isso? 
Primeiro de tudo se você acha que as vítimas desse tipo de coisa são os pedófilos e os próprios estupradores você está muito enganado. Normalmente esses tipos de criminosos, que não são muito bem vistos por outros criminosos, ficam em celas separadas, ás vezes eles realmente são vítimas desse tipo de crime dentro das cadeias, mas esses casos são a minoria.
Então quem exatamente são as vitimas de estupro? Literalmente qualquer um. Nas cadeias não existem regras sobre quem pode e não pode ser abusado por outros presos, qualquer um pode ser a vitima, não importando seu crime, hierarquia e nem se ele está sobre a proteção de uma gangue. Até mesmo líderes de gangues já foram estuprados.

Nas cadeias o que acontece é que uma pessoa vira "esposa" de outro prisioneiro, que na verdade é mais como um escravo sexual, ela tem de realizar favores sexuais, cozinhar, arrumar a cela e várias outras funções se não quiser ser morta por seu "dono".
Os donos também costumam alugar seus escravos para outros prisioneiros em troca de dinheiro, drogas, celulares, etc. Guardas são ensinados a ignorar esses tipos de crimes e não reportar eles.

Outra regra não falada é sobre aceitar favores e presentes de outros presos, e essa regra é bem clara, se alguém te ofereceu algo, eles vão querer algo em troca. 
Em certos lugares é comum que presos tenham de devolver em dobro o que eles pegaram, por exemplo, se eles pegaram um maço de cigarros eles tem de devolver dois maços e assim por diante.

Prisioneiros não são forçados a dizer que crimes eles cometerem, muitas vezes nem mesmo os guardas sabem porque aquela pessoa está atrás das grades. Por isso os presos são ensinados a nunca comentarem sobre os seus crimes, e o motivo é simples, existem outros prisioneiros delatores que tentam aprender sobre o crime que a pessoa cometeu, e então eles trocam essa informação por uma sentença menor.

Em gangues (que são diferentes da máfia) eles costumam só respeitar o que eles chamam de "street cred" (crédito das ruas), que basicamente é o respeito que um membro tem dentro da gangue.
Existem vários jeitos de aumentar o seu "crédito", como por exemplo: matar policiais, matar membros de gangues rivais, ganhar muito dinheiro para a gangue e matar traidores. 

Nas cadeias e nas gangues tatuagens tem outros significados, podendo significar o crime que aquela pessoa cometeu e até mesmo qual a posição dele dentro da gangue. Se você quiser saber mais sobre elas sugiro que leia nossa série de matérias "Você sabe o que cada tatuagem significa?"

E falando em tatuagens, tatuadores de prisão costumam ser "imunes" a brigas de gangues e coisas do tipo, isso porque prisioneiros adoram tatuagens bem feitas, mas não existem muitos tatuadores disponíveis, por isso muitas gangues tomam cuidado para não matar eles por acidente.

Ao contrário de gangues de rua, a máfia não deixa seus membros atacarem membros de famílias rivais, isso vai contra as regras de conduta deles. Se um membro quer atacar um rival, ele tem de pedir permissão ao chefe da família, que então vai falar com o chefe da família rival e eles decidem o que vai acontecer.

Isso aqui não é uma regra, mas mesmo assim é algo curioso que prisioneiros fazem. Ao usar o banheiro eles costumam tirar uma perna de dentro das calça, assim se eles forem atacados durante seu "alivio" eles podem correr.
Além disso se tem mais de uma privada, uma costuma ser usada para ir ao banheiro, e a outra para lavar as roupas.

Bom, é isso, esperamos que você tenha aprendido sobre o mundo não tão secretos das gangues e máfias, não deixe de vim visitar o nosso facebook, curtir a nossa página e ativar as nossas notificações.

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