quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Os maiores guerreiros do mundo animal #9

De cães e gatos, até macacos, burros e elefantes, não existe um animal que possa ser adestrado que não tenha sido usado por humanos em suas guerras, mas alguns desses bichinhos se superaram no quesito habilidade e entraram para a história como grandes guerreiros, confira agora a história de mais alguns deles.
E caso goste da matéria clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte (incluindo guerreiros humanos). E se você quiser saber ainda mais sobre pessoas que viraram lendas, leia nossa nova série de matérias sobre os maiores criminosos (e policias) do mundo, clicando aqui.

Vamos começar com Boy, ou Pudol, ou Boye, ou Puddle, bom... o cachorro tinha muitos nomes isso é certo, mas sua vida entrou para a história e você vai ler ela agora.
Para ficar mais fácil de entender vamos chamar o cachorro apenas de Boy, ele era um poodle branco que foi dado de presente ao famoso guerreiro Rupert do Reno (cuja vida nós já cobrimos na matéria "Os maiores guerreiros do mundo #9" caso você queira ler ela também). 
Boy foi dado ao ex-príncipe Rupert quando este foi preso na fortaleza de Linz durante a Guerra dos Trinta Anos. O conde de Arundel, um inglês que se tornou amigo do carismático Rupert, deu a ele o animal para lhe fazer companhia durante o confinamento. O cão era de uma raça rara de poodle branco de caça, na verdade provavelmente haviam dois poodles, um preto e um branco. O preto foi perdido no início da guerra, foi o sobrevivente branco que se tornou uma lenda. Como já vimos o cão era chamado por muitos nomes, mas principalmente de Boy, ou "Garoto", embora, curiosamente ele talvez fosse fêmea. 
Onde quer que Rupert fosse, Boy o seguia bem de perto, incluindo pra guerra, o cão tinha visto mais morte e corpos do que muitos humanos, mas continuava leal a Rupert.
A fama de Boy era tanta que propagandas da época diziam que Rupert era um bruxo e que Boy era seu familiar, um cachorro bruxo que pegava balas com a boca e tinha poderes de magia negra que ele usava para ganhar suas batalhas, alguns até diziam que ele era o Diabo disfarçado. Tudo baboseira, mas Boy era suficientemente impressionante e famoso em toda a Europa, tanto que o sultão otomano da época, Murad IV, solicitou que seu embaixador tentasse encontrar para ele um animal semelhante ao poodle.
Com o passar dos anos a fama de Boy só crescia, ele agora não era só um cão bruxo, ele também era uma mulher que havia sido transformada em cão, podia encontrar tesouros, era invulnerável a ataques inimigos, era vidente e podia mudar de corpo igual um metamorfo.
Se o cão pudesse ler ele provavelmente se mataria de dar risada, toda essa fama fez com que os soldados reais promovessem Boy, de um simples mascote militar adotado, para o posto de sargento-major-general.
Alegadamente, Boy tinha outros atributos carinhosos, como inclinar a perninha quando ouvia o nome de John Pym, líder das forças parlamentares. Ele também teria se apresentado para Charles I, dormido na cama do príncipe Rupert e brincado com os príncipes Charles, James e Harry e a princesa Henrietta, e muitas vezes era alimentado com rosbife e peito de frango capão pelo próprio Rei Charles I.
Pelo que se sabe Boy era um cão feliz que tinha uma boa vida, mas a guerra não poupa ninguém, Boy morreu durante a Batalha de Marston Moor em 1644. Ele havia sido deixado em segurança no campo monarquista, mas escapou e foi atrás de seu dono, que ele sempre seguia. A batalha foi mal para os realistas, e Rupert foi forçado a fugir do campo, Boy foi morto durante a luta que se seguiu, provavelmente por um tiro. No fim a morte de Boy foi o que roubou a cena, ninguém ligava para os soldados apenas para o cão bruxo, ele foi representado com destaque em cenas em xilogravuras desenhadas na batalha na época, deitado de cabeça para baixo, morto. Simon Ash, historiador contemporâneo do evento, chamou atenção específica à morte desse cão "muito falado".
Hoje poucos conhecem a história de Boy, mas ele foi registrado como o primeiro cão oficial do exército britânico, um cargo que vai ficar para sempre na história do mundo. 


Conheça Jet de Iada, ou apenas Jet para os íntimos, esse pastor alemão negro nasceu em Liverpool no canil Iada da Sra. Babcock Cleaver em julho de 1942, daí o seu sobrenome. 
Na época a Segunda Guerra Mundial estava em seu auge, e era comum que o exército pegassem cães de abrigos para serem usados na guerra. Jet foi "emprestado" para ser treinado na Escola War Dogs em Gloucester aos nove meses de idade, onde foi treinado no trabalho de anti-sabotagem. 
Após dezoito meses de trabalho duro em aeródromos executando tarefas anti-sabotagem, Jet superou as expectativas dos soldados e foi devolvido à escola para treinamento adicional em tarefas de busca e salvamento, onde virou parceiro do Cabo Wardle. 
Eles foram realocados para Londres, onde Jet ficou conhecido por avisar latindo todas as noites até que os ataques aéreos parassem. Wardle e Jet foram os primeiros treinador e cão a serem usados ​​em uma capacidade oficial nas tarefas de resgate da Defesa Civil.
Jet tinha sua própria linguagem corporal para indicar o que ele queria dizer. Se ele se sentasse é porque a vitima já estava morta embaixo dos escombros, se ele ficasse agitado ela ainda estava viva, para completar o cão era teimoso, ele costumava cavar escombros que ainda estavam quentes até queimar suas patinhas. 
Uma vez Jet disse ao seu parceiro para investigar uma área dos escombros, como o cão nunca errava seu parceiro investigou toda a área, mas não encontrou nada, para a surpresa dele o cão, porém, não queria sair do local por nada nesse mundo. Jet ficou 11 horas e meia parado no mesmo local enquanto seu time procurava por sinais de que alguém ainda estivesse vivo lá embaixo, finalmente uma mulher de 63 anos, ainda viva, foi descoberta sob os destroços, ela sobreviveu graças a Jet e se recuperou em apenas duas semanas, por isso o cão foi nomeado para uma medalha.
Jet nunca foi usado em campos de batalha igual alguns dos outros animais dessa lista, mesmo assim seus atos eram lendários, ele recebeu a Medalha Dickin em 12 de janeiro de 1945 por salvar as vidas de mais de cinquenta pessoas presas em prédios que haviam sido bombardeados. A dedicação dizia "Por ser responsável pelo resgate de pessoas presas sob prédios em chamas, enquanto trabalhava com os Serviços de Defesa Civil de Londres". Após a guerra, ele foi devolvido ao seu proprietário original em Liverpool. 
O cachorro havia para todos os sentidos se aposentado com todas as glórias, ele agora se apresentava em shows e ensinava outros cães os seus truques, mas a vida tinha outros planos. Em 15 de agosto de 1947, ocorreu uma explosão no poço William, perto de Whitehaven, Cumbria. Os cães treinados no trabalho de recuperação de corpos não estavam disponíveis, então dois cães foram enviados da Escola de Cães Policiais em Staverton, e Jet, um veterano em salvar pessoas de escombros, foi coletado de sua dona na jornada para o norte. Depois que seus esforços ajudaram a salvar os socorristas ao avisar eles que alguns destroços iam cair neles, ele foi premiado com o Medalha de Valor da RSPCA.
Segundo alguns relatos depois de voltar mais uma vez pra casa Jet ficou em sua cama descansando por dois dias inteiros, afinal, ele merecia, o cão havia salvado cerca de 150 pessoas em seus anos de trabalho militar.
Jet faleceu em 18 de outubro de 1949, aos 7 anos de idade, provavelmente de causas naturais, ele foi enterrado em um memorial no jardim de flores inglês do Calderstones Park, Liverpool. Esse mesmo memorial foi limpo em julho de 2016 por alunos da Escola Primária Childwall Church of England e The Reader em comemoração ao aniversário de Jet. Também estava lá Lilias Ward, de 93 anos, a antiga dona de Jet. 


Conheça Olga, Regal e Upstart, três dos cinco cavalos que receberam a famosa Medalha Dickens por bravura animal, todos eles eram britânicos e serviram durante a Segunda Guerra Mundial.
Aproximadamente 186 cavalos faziam parte da divisão montada da Polícia Metropolitana durante a Segunda Guerra Mundial. Patrulhas montadas foram colocadas em toda a cidade de Londres para ajudar no controle do tráfego e melhorar o moral dos londrinos durante os frequentes ataques de bombardeios alemães que assolaram a cidade durante o início e meados da década de 1940. Os cavalos normalmente tinham um treinador durante toda a sua carreira no serviço e eram obrigados a permanecer calmos durante situações estressantes. Desde o começo de suas "aulas" os cavalos foram treinados rigorosamente, um cavalo que perdesse a calma no meio da confusão poderia causar acidentes e até matar civis, mas os feitos desses três superaram as expectativas de qualquer soldado.
Olga era uma égua marrom com uma estreita marca branca na frente direita. Ela era usada em operações de controle de multidões e resgate no sul de Londres, perto de Tooting. Em 3 de julho de 1944, Olga e seu cuidador J. E. Thwaites, que havia substituído seu habitual cuidador, estavam patrulhando a Rua Besley SW16 perto da linha do trem, quando uma bomba explodiu a apenas 91 metros de distância na frente deles. A explosão destruiu quatro casas, matou quatro pessoas e fez com que uma janela de vidro caísse diretamente em frente a Olga. Assustada, a égua inicialmente correu a uma curta distância da explosão, até que Thwaites conseguiu acalmá-la e guiá-la de volta para a área. Estabelecendo-se rapidamente, Olga permitiu que Thwaites administrasse ajuda aos sobreviventes e ainda o ajudou a desviar os turistas que haviam visto a devastação longe da área.
Regal era um cavalo castrado com uma pequena marca branca na testa e manchas nas patas traseiras. O cuidador de Regal durante a guerra era Hector Poole. Regal serviu no subúrbio de Muswell Hill, no norte de Londres, em 19 de abril de 1941, durante os meses finais da chamada Blitz, bombas incendiárias lançadas perto dos estábulos da polícia de Muswell Hill provocaram um incêndio na sala de forragem, logo se espalhando pela área em torno da tenda de Regal. Sem nem entrar em pânico o cavalo foi levado para fora do estábulo sem ferimentos. Três anos depois, em 20 de julho de 1944, o estábulo foi novamente danificado quando uma explosão causada por um impacto de uma bomba voadora V-1 nas proximidades fez com que o teto da estação caísse parcialmente e ferisse Regal com detritos, mesmo assim o cavalo, ainda sem entrar em pânico, seguiu todas as instruções de seu cuidador e conseguiu se recuperar do acidente.
E Upstart era um cavalo castrado de pelagem castanha, com quatro pés brancos e uma pequena marca na testa. Upstart havia sido mantido perto do Hyde Park até que os tiros de um ataque contra uma estação de defesa aérea nas proximidades danificassem o estábulo dele. O cavalo sobreviveu sem ferimentos graves e foi deslocado para o leste de Londres após o ataque, Upstart estava patrulhando uma rua em Bethnal Green com seu cuidador J. Morley algumas semanas após o bombardeio em Tooting quando uma bomba aterrissou 23 metros na frente do cavalo, pedaços de vidro e estilhaços voaram e atingiram tanto o cavalo quanto seu cuidador, mas para a surpresa de Morley, Upstart não se assustou mesmo estando coberto de feridas, ele permaneceu imperturbável e ainda ajudou Morley a direcionar o tráfego e o controle de multidões após o incidente.


Os três cavalos receberam a medalha juntos em 11 de abril de 1947, suas inscrições liam: 
"Olga - De serviço, quando uma bomba voadora demoliu quatro casas em Tooting e uma janela de vidro colidiu imediatamente à sua frente. Olga, depois de disparar por 100 metros, voltou ao local do incidente e permaneceu de serviço com seu montador, controlando o tráfego, e auxiliando organizações de resgate."
"Regal - Esteve duas vezes em estábulos queimados causados ​​por incendiários explosivos em Muswell Hill. Apesar de ter sofrido ferimentos leves, sendo coberto por detritos e próximo das chamas, este cavalo não mostrou sinais de pânico." 
"Upstart- Enquanto estava em patrulha em Bethnal Green, uma bomba voadora explodiu em um raio de 75 metros, cobrindo cavalo e cavaleiro com cacos de vidro e detritos. Upstart ficou completamente imperturbável e permaneceu em silêncio com o piloto controlando o tráfego, etc, até o incidente ter sido resolvido".
Hoje os três cavalos continuam juntos enterrados no Estabelecimento de Treinamento Montado da Polícia Metropolitana em Thames Ditton.

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