sábado, 23 de maio de 2020

Curiosidades e fatos sobre Tintim e sua turma

Tintim, Milu e Capitão Haddock são alguns dos personagens mais famosos da literatura mundial, e no Brasil não é diferente, o personagem alcançou a fama por aqui com seu desenho nos anos 90.
Conheça agora algumas curiosidades e fatos sobre Tintim e sua turma.

As Aventuras de Tintim foram criadas pelo autor e desenhista Georges Remi, mais conhecido pelo seu nome artístico Hergé em 1929, a série foi um dos quadrinhos europeus mais populares do século XX. 
Em 2007, um século após o nascimento de Hergé, Tintim já havia sido publicado em mais de 70 idiomas, com vendas de mais de 200 milhões de cópias, e adaptado para rádio, televisão, teatro e cinema.

Tintim não é exatamente um nome e hoje em dia existem muitas teorias sobre a origem do apelido do protagonista. 
Na verdade “Tin-Tin” é um apelido muito comum na França para nomes como Martin ou Agustin. Mas acredita-se que Hergé tenha tirado sua inspiração de outro personagem fictício. 
No final do século XIX o cartunista Benjamin Rabier já havia criado um personagem infantil chamado Tintim-Lutin que inspiraria Hergé décadas depois, eles até mesmo tem a mesma cor de cabelo. 
Em 1926, três anos antes da primeira aparição de Tintim, Hergé criou outra série intitulada "As Aventuras de Totor", mas essa série não fez muito sucesso e o nome foi mudado.


E a personalidade de Tintim pode ter sido inspirada em uma pessoa de verdade. 
Em 1928, um jornal dinamarquês enviou um desafio a qualquer um que quisesse aceitar para viajar ao redor do mundo sem aviões ou acompanhantes dentro de 46 dias. A jornada envolveria a hostil paisagem russa e as terras geladas do território de Yukon, no Canadá, entre outras partes perigosas do mundo. 
Um menino de 15 anos chamado Palle Huld não apenas completou o desafio, mas também o fez com dois dias a menos do que o esperado. 
Um ano depois da jornada triunfante de Huld, o cartunista belga começou a desenhar as aventuras do jovem jornalista chamado "Tintim", que muitos acham ter sido inspirado pelo garoto.

Tintim é sempre acompanhado por um cão da raça Fox Terrier que salva o jovem jornalista em várias ocasiões. 
Na versão original dos quadrinhos (escrita em francês), o cachorro de Tintim se chama Milou, um nome que foi usado em vários outros países. Esse nome na verdade é uma homenagem à primeira namorada de Hergé, Marie-Louise Van Cutsem, a quem ele chamava carinhosamente de Milou.


Já o Capitão Haddock teve uma origem mais humilde para o seu nome. 
Hergé estava pensando em nomes para seu novo personagem, ele então perguntou a sua esposa, Germaine, o que ela havia preparado para o jantar. Ela disse a ele, “um peixe inglês triste - haddock (arinca).” 
Hergé achou que esse era um nome perfeito para o novo amigo marinheiro de Tintim, e assim nasceu o Capitão Haddock.


E os detetives Thomson e Thompson (no original Dupond e Dupont) foram inspirados no pai e tio de Hergé, gêmeos idênticos, que muitas vezes faziam caminhadas juntos usando chapéus combinando enquanto carregavam bengalas. 


Outra inspiração para os detetives foi uma foto de dois detetives bigodudos, de chapéu de coco e formalmente vestidos, que apareceram na capa da edição Le Miroir de 2 de março de 1919. 
Eles foram mostrados escoltando um criminoso, um detetive foi algemado ao homem enquanto o outro estava segurando os dois guarda-chuvas. 


O Professor Calculus (Girassol no Brasil) foi inspirado em parte pelo inventor Auguste Piccard, Hergé afirmou em uma entrevista com Numa Sadoul: 
"Calculus é uma escala reduzida de Piccard, como o cara real era muito alto. Ele tinha um pescoço interminável que brotou de um colar que era muito grande... Eu fiz um mini-Piccard com Calculus, caso contrário eu teria que ampliar os quadros da tira." 

A história "Explorers on the Moon" foi o resultado da pesquisa intensiva de Hergé sobre a possibilidade de os humanos visitarem a lua. 
Entre 1952 e 1953, a história da aventura lunar de Tintim foi contada em tiras semanais na Tintin Magazine. O interessante é que Tintim foi para a Lua quase 15 anos antes dos americanos pousaram lá pela primeira vez. 
Uma cópia em francês de "Explorers on the Moon" assinada por Hergé, Buzz Aldrin, Neil Armstrong e outros foi uma leiloada por mais de € 100.000.


Nada é perfeito e Tintim também já foi considerado racista uma vez. 
Hoje, "Tintin in the Congo" talvez seja mais famoso por seu conteúdo controverso do que por sua história. Muitas décadas depois de sua primeira aparição, em 1931, o álbum foi criticado por seu conteúdo racista, os habitantes congoleses eram retratados como infantis e primitivos. 
Hergé afirmou mais tarde que ele foi "influenciado pelos preconceitos paternalistas do meio burguês em que viveu", mas que nunca pretendeu ser racista. A história foi alterada várias vezes e agora é frequentemente vendida com um aviso anexado. 
As edições originais, no entanto, são um ótimo item de colecionador, em 2016, um dos sete protótipos deste álbum publicado sem qualquer texto ou título na capa alcançou € 39.000 em um leilão da Catawiki.


E não foi só isso, enquanto criava a história "Blue Lotus" em 1934, durante o prelúdio da Segunda Guerra Sino-Japonesa, Hergé recebeu muita ajuda e inspiração de seu amigo Tchang Tchong-Yen, que desenhou vários símbolos e ideogramas chineses. 
Como seu amigo chinês, Hergé era pró-China e contra os agressores japoneses, algo que você pode ver claramente na história. Todos os personagens japoneses da história são malvados, todos os personagens chineses são amigáveis e derrotados como vítimas do imperialismo japonês. 
O Japão reagiu fortemente aos slogans anti-japoneses que o Tchang desenhou, os chineses, por outro lado, adoraram. Song Meiling, esposa de Chiang Kai-Shek, ex-líder da República da China, até convidou Hergé para visitar o país.


E embora o personagem titular seja conhecido por sua benevolência, ele nem sempre foi assim. 
No thriller de fantasia "The Black Island" de 1937, situado em Sussex e nas Hébridas, Hergé mostrou o lado mais violento do personagem quando Tintim apontou uma arma em dois homens e disse: “Mais um passo e você está morto!” 
Esta versão foi logo criticada porque Tintim não podia ser tão malvado assim, as falas foram então modificadas para “Volte e levante as mãos!”


Nos quadrinhos, Tintim mora em um apartamento na Rua Labrador nº 26, em Bruxelas. Este endereço obviamente não existe, mas ele foi inspirado na rua Terre-Neuve da capital belga, muito perto do mercado de antiguidades de Jeu de Balle, onde começa a história "O Segredo do Unicórnio". 
Na cidade de Louvain-la-Neuve, o Museu Hergé fica na Rua Labrador nº 26 do município.


O rosto de Tintim tem um design bem simples, isso ajudava os leitores a se identificarem melhor com o personagem já que eles podiam se projetar nele sem dificuldades.


Embora Tintim tenha ficado famoso graças aos seus quadrinhos, sua primeira aparição de verdade foi publicada no suplemento semanal para crianças, Le Petit Vingtième, em 4 de janeiro de 1929, que na verdade estava anunciando os quadrinhos como propaganda politica para extremistas de direita.
No fim o personagem ficou mais famoso do que o suplemento em si. O dono do jornal em que Tintim "nasceu" acabaria se tornando um nazista fervoroso e sentenciado após a Segunda Guerra Mundial.


Assim como aconteceu com Sherlock Holmes, o autor de Tintim se cansou do personagem e planejava se livrar dele muito mais cedo do que o esperado. 
Hergé se cansou das muitas alegações sobre seu histórico de guerra e considerou fortemente o possível fim de Tintim, mas o tiro saiu pela culatra. O editor Raymond Leblanc ouviu os rumores e ofereceu uma ajuda ao escritor já que ele queria competir com revistas jovens como Spirou e Bravo. Foi decidido então criar uma revista em quadrinhos com Hergé no comando. 
Em 26 de setembro de 1946, o sucesso da Tintin Magazine era notável, com 100.000 cópias produzidas.


Mas isso não queria dizer que Hergé estava feliz com a decisão. Ao longo de sua carreira o escritor ficou cada vez mais infeliz e sentiu que era escravo de seu próprio sucesso. 
Ele sofreu psicológica e fisicamente. Isto foi claramente descrito em um desenho de 1947 em que o autor olha seriamente para uma mesa de desenho superlotada, enquanto um Tintim de olhar feroz olhava para ele segurando um chicote.


Hergé na verdade adorava escrever sua própria vida nas revistas do Tintim, sua história emocionante "Tintin in Tibet" foi na verdade inspirada por seus próprios problemas psicológicos.


O grande problema de Tintim é que ele era velho, suas histórias aconteceram lá nos anos 30, 40 e 50, ou seja, entre aqueles dias e hoje muita coisa aconteceu. Isso causou muitas confusões quando suas histórias foram relançadas.
Um bom exemplo foi quando em 1969, a pedido da editora britânica de Hergé, uma terceira versão da história "The Black Gold" teve de ser criada. A editora ficou particularmente perturbada com os elementos datados, como a visão de judeus e árabes em sua luta contra os britânicos e uns contra os outros em relação ao mandato britânico da Palestina no final dos anos 40. 
Os fuzileiros britânicos da história foram completamente apagados e substituídos pela polícia militar árabe.


Em 3 de maio de 1983, Hergé morreu de uma doença semelhante à leucemia. Ele tinha 76 anos de idade. Em seus arquivos foram encontrados cerca de 150 páginas com esboços, diálogos e notas sobre a sua mais nova história "Tintin e Alph-Art". 
Tentativas foram feitas para encontrar instruções sobre como proceder após sua morte, mas segundo o próprio escritor só ele podia trazer Tintim e seus amigos a vida. 
Bob de Moor até queria completar a história Alph-Art, mas a esposa de Hergé, Fanny, deixou claro que ela obedeceria aos desejos do marido. O manuscrito foi publicado postumamente em 1986 mesmo inacabado.


O filme animado do herói foi muito melhor do que o esperado, ele foi o primeiro filme animado dirigido por Steven Spielberg, e ainda por cima ele se tornou primeiro filme não-Pixar a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação desde que a categoria foi introduzida pela primeira vez em 2007.
Originalmente, Steven Spielberg iria fazer uma adaptação live-action de Tintim, ele ligou para Peter Jackson para perguntar se sua companhia de efeitos visuais, a Weta Digital, iria trabalhar no filme, em particular, criando um Snowy/Milou de animação. 
Jackson era um fã de longa data de Tintim, ele então convenceu Spielberg que atores de verdade não fariam justiça aos quadrinhos, e que a captura de movimento e a animação gráfica eram a melhor maneira de representar o mundo de Tintim.


Tintim teve um sucesso monstruoso que dura até hoje, isso levou seus personagens a fazerem diversas participações especiais em outros desenhos e quadrinhos. 
O cachorro Snowy/Milou apareceu tanto nos Simpsons quanto em South Park, e os gêmeos detetives foram vistos no especial Asterix na Bélgica.


Assim como Stan Lee adorava fazer participações especiais nos filmes da Marvel, Hergé adorava se desenhar em suas histórias, ele fez pelo menos 22 participações especias apenas no desenho.
No filme animado Hergé é o artista que faz uma caricatura de Tintim, uma caricatura exatamente igual a arte dos quadrinhos do pertsonagem.

Gostou da matéria? Então venha curtir o nosso facebook em Real World Fatos para ler mais matérias interessantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário