sexta-feira, 13 de março de 2020

Conheça a história dos criminosos mais famosos do mundo #6 - Lúcio Flávio

Chegou a hora de mais uma parte de nossa nova série de matérias sobre a história real dos maiores criminosos que já viveram, aqueles que viraram lendas graças a seus crimes.
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Lúcio Flávio Vilar Lírio... tá bom, você pode não saber quem ele é, mas acredite, se você era um brasileiro nos anos 70 não tinha como não ouvir o nome dele nas rádios e ler sobre seus crimes nos jornais. Ele foi tanto um vilão quanto um herói que ajudou a acabar com a corrupção policial de sua época.
Lúcio Flávio nasceu em 1944 em uma família de classe média, sua mãe era uma simples professora e seu pai era funcionário público em Belo Horizonte. O cara antes de ser um criminoso não era ninguém, nem ao menos existem informações sobre a vida dele nessa época. Segundo o próprio criminoso seu pai trabalhou na administração de Juscelino Kubitchek no estado de Minas Gerais, ele era ligado ao Partido Social Democrático em 1974. Mas quando ocorreu o Golpe Militar, seu pai foi de político para alvo, e foi perseguido. Ainda segundo o criminoso, durante uma festa de casamento de familiares, agentes militares invadiram e agrediram os pais de Flávio, até mesmo jogando o rosto de seu pai no bolo.
Aos 24 anos de idade Flávio já tinha se cansado dessa vida política, e junto com alguns amigos próximos e parentes formou uma gangue para roubar carros, mas eles não eram tão bons assim. Já no ano seguinte eles foram descobertos e Flávio foi apontado como líder do grupo. E acredita-se que foi ao ser preso pela primeira vez que sua fama realmente começou.
Na cadeia foi descoberto que Flávio teria um QI de 131 pontos, o mais alto já registrado em uma penitenciaria brasileira (o QI médio de um brasileiro é de 88 segundo algumas pesquisas). Isso sem contar que ele era na época considerado um galã, de cabelos loiros e olhos azuis ele era praticamente um ator de novela.

Mas Flávio não era esperto apenas no papel, pouco depois de ser preso ele fugiu e ainda por cima expandiu suas operações, de roubos de carros ele foi para roubos de bancos e joalherias. Em pouco tempo, e sem a policia perceber, ele virou chefe da maior quadrilha do país inteiro. Ele tinha mais de 50 homens sob o seu comando divididos em grupos menores, cada um sob comando de algum membro de sua família.
Seus crimes ficaram famosos, mas não porque eles eram incríveis, mas sim pelo fato dele ser bonitão. O próprio Lúcio admitiu que ele ficou famoso por ser tratado como um "galã" pelos jornais, que não cobriam seus crimes de maneira correta, mas sim inventando coisas sobre ele para vender mais jornais, narrando seus crimes como aventuras de um personagem em quadrinhos.
Os jornais disseram que ele e seu bando uma vez assaltaram uma agência bancária bem em frente à Escola Superior de Guerra na Urca, que era um local muito patrulhado pelas Forças Armadas da cidade. Quando eles terminaram o roubo o gerente do local deu uma entrevista onde teria dito que os ladrões eram principiantes, porque eles roubaram apenas o dinheiro dos caixas mas deixaram os cofres intocados. Os bandidos leram isso e dias depois voltaram ao mesmo lugar, assaltaram o mesmo gerente e ainda fizeram ele carregar todo o conteúdo do cofre pro carro deles.
Lúcio era agora uma celebridade nacional, quando ele era preso ele dava entrevistas, enviava cartas para jornais, e o mais importante é que ele fazia várias delações, entregando pessoas que provavelmente nunca iriam para a cadeia se não fosse por ele, como por exemplo policiais corruptos dos chamados Esquadrões da Morte, que deram inicio as famosas milicias modernas.


As ações de Lúcio e seu bando eram consideradas "operações de guerrilha urbana" por vários grupos de esquerda contra a ditadura militar. O próprio criminoso se justificou dizendo "eu nunca roubei trabalhador, só roubo banco, que tem seguro e o dinheiro ali não é de ninguém", a imprensa foi a loucura e o trataram como um Robin Hood moderno. 
Por incrível que pareça foi o próprio Flávio que tentou dar um basta a essa idolatrização dele e seu grupo, ele assumiu todas as responsabilidades das ações de seu grupo e ainda disse, em uma tentativa de parar com essa adoração toda, "sou bandido porque gosto", e que seu maior objetivo era ficar rico e se aposentar, ou seja, seus crimes não tinham propósitos políticos.
Aos 30 anos de idade ele já tinha cometido crimes em 3 estados, fugiu 32 vezes de penitenciarias, uma vez de uma viatura que ainda estava em movimento e era procurado para responder mais de 530 inquéritos por roubos e assaltos. 
Então como um cara tão famoso quanto esse conseguiu fugir tantas vezes? Simples, ele apenas subornava os policiais. Flávio disse que "os policiais, guardas e funcionários, com a mesma mão que exibem uma carteirinha de polícia recebem propinas para levarem armas e fazerem trapaças". Ele provavelmente conhecia esses policiais corruptos porque sua família ainda tinha laços com políticos, que era quem contratavam eles em primeiro lugar.
Lúcio também era conhecido por não matar ninguém, algo raro em épocas em que Esquadrões da Morte eram comuns, foi dito que ele assassinou apenas uma pessoa em 1969, um membro de sua própria gangue que provavelmente teria tentado trair Lúcio.
Lúcio Flávio porém nunca foi visto como uma pessoa ruim, e ele mesmo era contra policiais serem corruptos, ele chegou a dizer que "polícia é polícia, bandido é bandido, não devem se misturar igual água e azeite". Ele então decidiu que ele mesmo acabaria com esses policiais. Certa vez após uma de suas fugas ele enviou uma carta para um jornal nomeando todos aqueles que ajudaram ele a escapar, o que causou a substituição do diretor do presídio onde ele estava e irritou muitos policiais, que passaram a ver Lúcio como uma ameaça ao seu império criminoso.
Lúcio também foi testemunha chave em investigações contra Esquadrões da Morte, isso resultou na condenação de diversos policiais. O cara também era a única testemunha de um caso de assassinato contra Mariel Mariscot, um policial brasileiro conhecido por seu estilo de vida playboy, que namorava atrizes famosas de dia e cometia assassinatos de noite. Mas dessa vez Flávio não iria testemunhar.
Em 1975 apenas dois meses antes do julgamento os policiais decidiram que já tinham se cansado de Lúcio, que foi encontrado em sua cela morto com 19 facadas. Foi dito que ele havia sido assassinado por seu colega de cela, que curiosamente também foi morto pouco tempo depois.


Mas a fama de Lúcio ainda não tinha acabado, nessa época ele era praticamente um personagem do folclore brasileiro, e em 1985, José Loureiro escreveu um livro sobre a vida do criminoso, que serviu de inspiração para o filme de 1978 "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia", que foi um dos maiores sucessos brasileiros de bilheteria. Como o filme mostrava a verdade sobre a policia da época ele quase foi censurado por inteiro.
E esse sim foi o fim de Lúcio Flávio, um dos nomes mais importantes da luta contra a brutalidade policial, mas que nem é lembrado hoje em dia.

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