terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A origem das tradições de Natal

Árvores enfeitadas, troca de presentes e comida na mesa. Chegou a hora de você ver mais uma matéria natalina, hoje você vai descobrir as origens das tradições mais famosas desse feriado que são realizadas ano após ano. Confira e se surpreenda.

Natal não seria Natal sem uma árvore enfeitada, normalmente um pinheiro cheio de luzes, neve falsa e uma estrela no topo. Essa tradição é muito mais antiga do que você imagina, os egípcios já celebravam o solstício com juncos verdes. Já os romanos marcavam o seu solstício com um banquete chamado Saturnália, em homenagem a Saturno, o Deus da agricultura. Como eles sabiam que o solstício significava que em breve fazendas e pomares seriam verdes e frutíferos, para marcar a ocasião eles decoraram suas casas e templos com galhos "sempre verdes", nome dado a qualquer planta ou árvore que ainda se mantem verde no inverno e outono, como por exemplo os pinheiros. E no norte da Europa os druidas, sacerdotes dos antigos celtas, também decoravam seus templos com ramos "sempre verdes", para simbolizar a vida eterna. 
Mas foi a Alemanha que popularizou as árvores modernas no século XVI, quando cristãos devotos trouxeram árvores decoradas para dentro de suas casas. Alguns construíam pirâmides de madeira e as decoraram com "sempre verdes" e velas, caso a madeira fosse escassa. 
Porém as árvores só se espalharam mesmo graças a ninguém menos do que a Rainha Vitória e seu príncipe alemão, Albert, quando eles foram esboçados no Illustrated London News com seus filhos em volta de uma árvore de Natal. Ao contrário da família real anterior, Vitória era muito popular com seus súditos, e quando eles viram que a família real tinha árvores de natal, todo mundo queria ser chique igual eles. Assim as árvores se espalharam pelo mundo afora.

Já os enfeites das árvores são uma tradição relativamente nova. Antigamente as pessoas enfeitavam suas árvores com maçãs, doces e biscoitos em formatos de estrela. 
Nos anos de 1870 os enfeites eram ainda mais bizarros, como descritos no conto The Peterkins' Christmas-Tree: "Havia todo tipo de coisas de enfeites dourados, de vagens de ervilha douradas a borboletas com molas. Havia bandeiras e lanternas brilhantes, gaiolas de pássaros e ninhos com pássaros assentados sobre eles, cestos de frutas, maçãs douradas e cachos de uvas".
Depois de anos as pessoas passaram a enfeitar as árvores com enfeites de vidro, papel e prata. Depois da Segunda Guerra Mundial os enfeites passaram a ser feitos de papelão, que eram mais baratos e fáceis de se fazer. Depois eles passaram a ser de plástico, uma tradição que continua até hoje.

Mas além dos enfeites nós temos as famosas meias, que segundo a tradição é onde o Papai Noel coloca presentes para as crianças boas, e carvão para as más.
Ninguém sabe ao certo de onde a tradição veio, não existem registros escritos sobre ela, a explicação mais provável é que elas são uma versão moderna da tradição de deixar sapatos com feno dentro para os cavalos (ou burros) de São Nicolau. Se o animal comesse o feno Nicolau colocava moedas ou alimentos no sapato como agradecimento.
A tradição evoluiu e as pessoas começaram a colocar meias em suas casas para atrair a boa sorte de São Nicolau. Depois as próprias pessoas passaram a colocar presentes nessas meias, criando a tradição que conhecemos hoje.


E que casa estaria completa sem as famosas luzes de Natal, ou pisca-piscas? Como você deve ter imaginado essa tradição é recente, afinal a eletricidade nem sempre esteve por perto. Acredita-se que antigamente as pessoas enfeitavam suas casas com velas, mas isso era um grande problema, ainda mais com todas aquelas árvores bem pertinho delas. O motivo para as velas era religioso.
A tradição de "acender" a árvore com pequenas velas remonta ao século XVII e teve origem na Alemanha antes de se espalhar para o Leste Europeu. As pequenas velas eram presas aos galhos das árvores com alfinetes ou cera derretida. Os cristãos europeus costumavam exibir uma vela acesa nas janelas de sua casa que era visível do lado de fora. As velas na janela indicavam a outros cristãos que a casa era uma casa cristã e que outros religiosos eram bem-vindos ali.


E que árvore estaria completa sem uma estrela ou um anjo no topo? O anjinho é usado para representar o Arcanjo Gabriel, que foi quem anunciou o nascimento de Cristo, a estrela representa a estrela cadente que avisou os Reis Magos onde Cristo iria nascer.


As famosas bengalas de Natal são usadas tanto na culinária quanto como enfeites. De acordo com lendas religiosas esses doces foram criados para serem distribuídos as crianças na hora da missa, apenas para que elas ficassem quietas dentro da Igreja. 
Seu formato é uma referencia aos bastões dos pastores (lembra -se de "O Senhor é meu pastor e nada me faltará?" Ou "Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas"?), mas honestamente ninguém sabe se a Igreja está mentindo ou não, esses doces provavelmente já existiam muito antes do Natal.


Que cores definem o Natal melhor do que o vermelho e o verde não é mesmo? O verde vem das plantas "sempre verdes", e acredita-se que o vermelho venha das chamadas Holly Berries, ou em nossa língua algo como "Amoras Sagradas". 
Esses pequenos frutos vermelhos (que tecnicamente nem são amoras) eram usados por religiosos para representar o sangue de Cristo e por isso viraram parte do Natal.


Embora  possa parecer uma tradição secular, aparecer nas casas das pessoas para fazer uma serenata com músicas natalinas só remonta ao século XIX. Antes disso, os vizinhos realmente se visitavam para desejar boa sorte, mas não cantavam. 
As canções de Natal remontam a centenas de anos, menos a parte de ir em de porta em porta. A mistura das duas idéias veio da Inglaterra vitoriana, é que lá cantar já fazia parte de todos os grandes feriados, então para eles nada fazia mais sentido do que cantar no Natal.


Os famosos presépios tem uma tradição muito óbvia, eles obviamente representam o nascimento de Cristo. 
É atribuído a São Francisco de Assis a criação do primeiro presépio da história, em 1223 em Greccio, na Itália central. Seu objetivo era enfatizar o Natal na adoração a Cristo, e não no materialismo e na doação de presentes. 
O presépio criado por Francisco foi descrito por São Boaventura em sua obra "Vida de São Francisco de Assis", escrita por volta de 1260. Encenado em uma caverna perto de Greccio, o presépio de São Francisco era "vivo, com seres humanos e animais lançados nos papéis bíblicos". O próprio Papa Honório III deu sua bênção à exposição.


Nenhuma bebida representa o Natal melhor do que o famoso Eggnog, chamado de Gemada no Brasil. 
Segundo historiadores a bebida foi provavelmente inspirada por uma bebida medieval chamada "posset", que era uma bebida láctea feita com ovos, leite e às vezes figos ou xerez. Todos esses ingredientes eram caros, então os ricos costumavam beber enquanto os pobres apenas assistiam.
A gemada tornou-se uma bebida natalina quando os colonos trouxeram ela da Europa, mas eles encontraram uma maneira de gastar menos dinheiro com ela, tirando os figos e substituindo o xerez pelo rum.


O visco também é parte do Natal, a planta tem sido associada à fertilidade e vitalidade desde os tempos antigos, porque ela também era uma planta "sempre verde". Mas ninguém sabe ao certo como a tradição de beijar debaixo do visco se tornou uma tradição natalina. 
O que se sabe é que a tradição era popular entre os servos ingleses no século XVIII, e depois se espalhou rapidamente para a classe mais alta. O costume permitia que homens roubassem um beijo de qualquer mulher que estivesse embaixo do visco, mas se ela recusasse, eles estavam condenados à má sorte.


A melhor parte do Natal para muitos (especialmente as crianças) é a troca de presentes, o costume é muito antigo, romanos já trocavam presentes durante a Saturnália, mas quando a Igreja roubou o feriado deles, ela precisava de uma desculpa para relacionar a troca de presentes com a Igreja Católica. O resultado é que segundo eles a tradição é realizada para lembrar como os Reis Magos presentearam Jesus quando ele nasceu.


O peru de Natal aparece em muitas mesas nessa época do ano, acredita-se que o motivo para comermos essa ave em particular é porque fazendeiros não queriam matar uma vaca ou uma galinha para comer. Eles precisavam do leite da vaca e dos ovos da galinha, então comiam o peru no lugar deles. 
Quando a Rainha Vitória foi vista comendo um peru com sua família a tradição finalmente se popularizou entre a classe alta e baixa.


E por último como nós esquecer do famoso Panetone? Você já deve ter ouvido falar que o pão com frutas foi feito por um padeiro chamado Toni, daí seu nome "Pan de Toni", ou "Pão do Toni", ou algo do tipo. Mas honestamente, isso é provavelmente pura baboseira. 
A verdade mais provável é que no início do século XX, dois padeiros milaneses começaram a produzir esse pão em grandes quantidades na Itália. Em 1919 Angelo Motta começou a produzir sua marca de bolos de mesmo nome. Foi também Motta quem revolucionou o panetone tradicional, dando-lhe sua forma de cúpula alta, fazendo a massa subir três vezes, por quase 20 horas dando-lhe sua textura leve. 
A receita foi então adaptada pouco depois por outro padeiro, chamado Gioacchino Alemagna, por volta de 1925. A concorrência entre os dois levou à produção industrial do bolo quando a Nestlé assumiu o controle das marcas no final dos anos 90.
Mas porque ele é comido no Natal? Simplesmente porque ele era barato. O pão só ficou famoso nessa época do ano após a Segunda Guerra Mundial quando todo mundo queria economizar o máximo possível.
Mas e o seu nome? De Toni o panetone não tem nada, a palavra "panetone" deriva da palavra italiana "panetto", que significa algo como "pequeno bolo" ou "pequeno pão".

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