terça-feira, 1 de outubro de 2019

Os maiores guerreiros do mundo #8

Seja bem-vindo a mais uma parte de nossa incrível série de matérias sobre os maiores guerreiros que já viveram, sejam eles humanos ou animais, aqui você vai descobrir a história de pessoas reais cujos feitos inacreditáveis os transformaram em lendas históricas.
E se você quiser conhecer a história de mais pessoas que viraram lendas, clique aqui e leia nossas matérias da série sobre a história dos criminosos mais famosos do mundo.


Vamos começar com Chris Kyle, o sniper americano cuja vida inspirou o filme indicado ao Oscar American Sniper, estrelado por Bradley Cooper. Mas é claro que o filme mentiu pra caramba sobre sua história, mesmo assim a de verdade ainda é incrível e você vai conhecer ela agora.
Christopher Scott Kyle nasceu em Odessa, Texas, o primeiro de dois meninos, ele era filho de Deby Lynn e Wayne Kenneth Kyle, um professor de escola dominical e diácono. O pai de Kyle comprou para seu filho seu primeiro rifle quando ele tinha apenas 8 anos de idade, algo comum nos E.U.A, e mais tarde uma espingarda, com a qual eles caçavam veados, faisões e codornas. 
Kyle e seu irmão cresceram criando até 150 cabeças de gado de cada vez. Ele cursou o ensino médio em Midlothian, Texas, e depois de se formar, tornou-se profissional de rodeio e rancho, mas sua carreira de peão terminou abruptamente quando ele feriu gravemente seu braço.
Sem uma carreira para seguir, Kyle fez o que muitos americanos fazem nessas horas de desespero, ele se juntou ao exército, ele foi para um escritório de recrutamento militar, e estava interessado em se juntar às Operações Especiais do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Um recrutador da Marinha dos EUA, porém, convenceu-o a tentar, em vez disso, os SEALs. Inicialmente, Kyle foi rejeitado por causa dos pinos em seu braço, mas acabou recebendo um convite para o treinamento básico de demolição submarina/mar, ar e terra em Coronado, Califórnia, em 1999. Kyle surpreendeu a todos e mesmo machucado ele se formou com a Turma 233 em março de 2001.
Atribuído ao Time-3 da equipe SEAL, Kyle se tornou um sniper profissional, e com quatro turnos de serviço ele serviu em muitas batalhas importantes da Guerra do Iraque, algo inesperado para um iniciante. Seu primeiro tiro de longa distância foi feito durante a invasão inicial, quando ele atirou em uma mulher que estava carregando uma granada de mão junto a uma criança e se aproximando de um grupo de fuzileiros navais. Como ordenado, Kyle abriu fogo, matando a mulher antes que ela pudesse atacar. Mais tarde, ele declarou: "a mulher já estava morta. Eu estava apenas me certificando de que ela não levasse nenhum fuzileiro naval com ela. Estava claro que não apenas ela queria matá-los, mas ela não se importava com ninguém por perto que teria sido explodido pela granada ou morto no tiroteio. Crianças na rua, pessoas nas casas, talvez seu filho."
Kyle viria a matar mais pessoas com seu famoso rifle sniper, ele acabou surpreendendo os outros soldados, já que ele sozinho estava aparentemente matando mais do que outros times inteiros, e seus inimigos também notaram isso. Por causa de seu histórico como atirador durante sua missão em Ramadi, os insurgentes o nomearam como Shaitan Ar-Ramadi, "O Diabo de Ramadi", e colocaram uma recompensa de 20.000 dólares em sua cabeça, que depois foi aumentada para $ 80.000. Eles postaram cartazes destacando a cruz em seu braço como um meio de identificá-lo. Eles o queriam morto a todo custo.
Seu tiro mais famoso foi dado em 2008, quando o sniper notou que um sniper inimigo estava mirando em seus aliados, ele então resolveu que teria de mata-lo ele mesmo. Com seu rifle ele atirou de uma distancia de 1,920 metros, e conseguiu matar o insurgente em um tiro que ele mesmo admitiu que foi "pura sorte".
Depois de sofrer atentados a sua vida e matar vários inimigos o soldado ficou conhecido como "The Legend", ou "A Lenda", entre a infantaria geral e fuzileiros navais que ele tinha a tarefa de proteger. O apelido se originou entre os SEALs de Kyle depois dele tirar uma licença sabática para treinar outros atiradores em Fallujah, e às vezes ele era chamado de "O Mito". Durante quatro turnos de serviço na Guerra do Iraque, ele foi baleado duas vezes e sobreviveu a seis detonações separadas de explosivos improvisados. 
Kyle foi indiscutivelmente um dos melhores franco-atiradores da história do exército dos Estados Unidos, com um grande número de mortes confirmadas e não confirmadas. Acredita-se que ele tenha matado no minimo 150 inimigos com seu rifle, um número que foi confirmado pelo Pentágono (o recorde americano anterior era 109). Mas no total ele pode ter matado até 255 soldados inimigos.
Em sua autobiografia, Kyle escreveu: "A Marinha me credita com mais mortes como atirador do que qualquer outro membro do serviço americano, passado ou presente. Eu acho que é verdade." 
Ao fim de seus turnos Kyle ganhou a Estrela de Prata, a Medalha de Estrela de Bronze e a Medalha da Realização da Marinha e do Corpo dos Marines, ele foi dispensado com todas as honras depois de quatro tours de guerra.
Mas a história de Kyle não acabaria com o final feliz que muitos esperavam, depois de sair do exército ele e sua esposa se mudaram para o Texas e o ex-sniper virou um instrutor.
Em 2 de fevereiro de 2013, Kyle e seu amigo, Chad Littlefield, foram assassinados a tiros por Eddie Ray Routh no campo de tiro. Eddie também era um soldado, só que ele sofria de estresse pós-traumático, e para piorar ele era esquizofrênico. O grande sniper não morreu por mãos inimigas, mas sim pelas de seu próprio aliado.
Graças ao seu livro e filme a história de Kyle vai ser lembrada por muitos anos, e mesmo que muitos critiquem ela, não dá pra negar que como soldado ele se superou.


Vendo essa foto acima deve ser difícil de acreditar que Jack Churchill foi um grande guerreiro, mas ele foi. John Malcolm Thorpe Fleming Churchill foi um militar britânico, duplamente condecorado com a Ordem de Serviços Distintos, e que lutou bravamente na Segunda Guerra Mundial, mas vamos voltar a sua história um pouco.
Nascido em 16 de setembro de 1906 no Sri Lanka, Jack teve uma vida boa, depois de viver em Hong Kong por um tempo ele foi educado no King William's College, na Ilha de Man. Ele se formou em um colégio militar para seguir os passos de sua família em 1926, e acabou servindo na Birmânia com o Regimento de Manchester. 
Mas surpreendentemente parece que o jovem Jack não queria saber de lutar, ele deixou o exército em 1936 e trabalhou como editor de jornal em Nairóbi, no Quênia. Ele ainda usou seus talentos de arco e flecha para desempenhar um pequeno papel no filme de 1924 The Thief of Bagdad.
Mas sua vida boa não iria durar, Hitler subiu ao poder e ele tinha outros planos para o mundo. Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, a Alemanha invadiu a Polônia, e Jack acabou tendo de lutar queria ele ou não.
Jack se destacou por dois motivos, primeiro ele carregava armas que eram diferentes das dos outros soldados, isso incluía um arco e flecha e uma espada gigante que usava para meter medo nos inimigos e, claro, matar eles quando dava. E segundo, ele costumava tocar sua gaita de fole antes de suas batalhas. Por exemplo em 27 de dezembro de 1941, quando as rampas de seu avião abriram, ele saltou para a frente de sua posição tocando "March of the Cameron Men" em suas gaitas de foles, antes de lançar uma granada e entrar com tudo na batalha. Por suas ações em Dunkirk e Vågsøy, Churchill recebeu a Cruz Militar.
Ele costumava andar com sua espada escocesa em sua cintura, seu arco e flecha em volta do pescoço e sua gaita de fole debaixo do braço. Agora imagina você ser um soldado inimigo e ai você se depara com esse gigante vindo em sua direção desse jeito, você não iria saber se corria ou dava risada... mas aqueles que deram risada provavelmente não viveram pra contar a história.
Acredita-se que ele foi o primeiro soldado em quase um século a ir a guerra e matar pessoas com um arco e flecha. Mas o feito mais famoso de sua carreira porém foi quando Jack recebeu ordens para capturar um posto de observação alemão fora da cidade de Molina. Com a ajuda de um outro soldado, Jack se infiltrou na cidade e capturou o posto inteiro sozinho, ele conseguiu render 42 soldados inimigos, incluindo um esquadrão de morteiros, ele fez isso com a ajuda de sua grande espada que botou os alemães pra correr e sua inteligencia. Ele pegou dois sentinelas alemães como prisioneiros, ai ele usava um deles para chamar mais soldados e capturava eles, depois ele ia pra outro lugar e repetia a mesma coisa até ter dominado o posto de observação inteiro.
Jack conduziu os homens e prisioneiros de volta por um desfiladeiro, com os feridos sendo levados em carroças empurradas por prisioneiros alemães. Ele comentou que era "uma imagem das Guerras Napoleônicas". Ele recebeu a Ordem de Serviços Distintos para liderar essa ação em Salerno.
E pra ficar ainda mais complicado Jack resolveu voltar ao posto inimigo, isso porque ele havia perdido sua espada em combate corpo-a-corpo com o regimento alemão e queria ela de volta. A caminho de lá, ele encontrou uma patrulha americana desorientada, erroneamente caminhando em direção às linhas inimigas. Quando o sargento no comando da patrulha se recusou a dar meia-volta, Jack disse que estava seguindo seu próprio caminho e que dessa vez ele não voltaria por uma "maldita terceira vez".
Em 1944 Jack acabou liderando um regimento de 1,500 partidários, 43 Comandos e uma tropa de mais 40 Comandos para o ataque. E no meio de tudo isso estava ele tocando mais uma vez sua gaita de fole no meio da batalha como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas tudo tem chegar ao fim, ainda em 1944 um morteiro matou Jack e todos os outros soldados sobreviventes... ou pelo menos era o que os inimigos pensavam, ao chegar perto eles notaram que Jack ainda respirava e decidiram captura-lo. Mais tarde ele foi levado para Berlim para interrogatório e depois transferido para o campo de concentração de Sachsenhausen, um destino que muitos na época consideravam pior do que a morte.
Ele até tentou fugir do campo mas foi recapturado e mandado para a execução com outros prisioneiros. Mas a sorte de Jack ainda não havia acabado, quando os nazistas encontraram soldados alemães no meio do caminho eles acabaram abandonando os prisioneiros, Jack se viu vivo por pura sorte mais uma vez. Mesmo assim ele estava longe de seus aliados, e o soldado teve de andar 150 km a pé até ele se reunir com os americanos.
Como a Guerra do Pacífico ainda estava em curso, Jack foi enviado para a Birmânia, onde algumas das maiores batalhas terrestres contra o Japão estavam sendo travadas. Quando Jack chegou à Índia porém, Hiroshima e Nagasaki foram bombardeados e a guerra terminou. Jack foi dito estar muito descontente com o súbito fim da guerra, dizendo: "Se não fosse por esses malditos ianques, poderíamos ter mantido a guerra por mais 10 anos!" 
Após a Segunda Guerra Jack ainda queria mais, ele se tornou um paraquedista militar e foi logo enviado ao Mandato da Palestina como oficial executivo do 1º Batalhão, a Infantaria Leve das Terras Altas. 
Na primavera de 1948, pouco antes do fim do mandato britânico na região, ele se envolveu em outro grande conflito. Junto com doze de seus soldados, ele tentou ajudar o comboio médico do Hadassah que foi atacado pelas forças árabes. Jack foi um dos primeiros homens em cena e bateu em um ônibus, oferecendo evacuar os membros do comboio mesmo isso sendo contra as ordens militares britânicas para se manter fora da luta. 
Sua oferta foi recusada na crença de que a Haganah (soldados judeus) viriam em seu auxílio em um resgate organizado. Quando os judeus não chegaram Jack e seus doze homens forneceram cobertura contra as forças árabes. 
Dois dos caminhões do comboio foram pegos no fogo, e 77 das 79 pessoas dentro deles foram mortos. O evento é conhecido hoje como o massacre de comboio médico do Hadassah. 
Após o massacre, ele coordenou a evacuação de 700 médicos judeus, estudantes e pacientes do hospital Hadassah no campus da Universidade Hebraica no Monte Scopus, em Jerusalém, onde o comboio se dirigia. Em sua homenagem, a rua que leva ao hospital foi nomeada Boulevard Churchill. 
Depois desse evento parecia que Jack finalmente se cansou da guerra, em 1952 ele fez mais uma participação especial como um arqueiro no filme Ivanhoe. Depois ele virou um instrutor e se apaixonou pelo surfe, sendo inclusive o primeiro homem a surfar a onda das Severn, o maior rio da Grã-Bretanha, a onda tinha pelo menos 1,50 m. Ele ainda teve tempo pra criar sua própria prancha de surfe.
Ele se aposentou do exército em 1959, com dois prêmios da Ordem de Serviços Distintos. Na aposentadoria sua excentricidade continuou. Ele surpreendeu os condutores de trem e os passageiros jogando sua maleta para fora da janela do trem todos os dias na volta para casa. Mais tarde, ele explicou que estava jogando elas em seu próprio quintal para que ele não tivesse que carregá-lo da estação.  Ele também gostava de velejar navios a carvão no Tamisa e brincar com barquinhos de controle remoto.
Jack Churchill faleceu em 8 de março de 1996, aos 89 anos de idade, no condado de Surrey, deixando para trás dois filhos. 
Em março de 2014, o Clube de Exploradores Royal Norwegian publicou um livro que apresentava Jack, nomeando-o como um dos melhores exploradores e aventureiros de todos os tempos.

Yogendra Singh Yadav deve ser o maior soldado indiano de todos os tempos. Ele nasceu em 10 de maio de 1980 em Aurangabad Ahir, uma aldeia de Sikandrabad, distrito de Bulandshahr em Uttar Pradesh. Seu pai, Karan Singh Yadav, serviu no Regimento Kumaon, participando das guerras indo-paquistanesas de 1965 e 1971. Provavelmente devido a isso Yadav se juntou-se ao exército indiano em uma idade muito jovem de apenas  16 anos e 5 meses.
Yadav se juntou aos soldados do esquadrão 18 Granadeiros, e fazia parte do pelotão de comando 'Ghatak', encarregado de capturar três bunkers estratégicos em Tiger Hill na madrugada de 4 de julho de 1999. 
Os bunkers estavam situados no topo de um penhasco coberto de neve que tinha pelo menos 300 metros de altura, subir aquilo era pedir pra morrer, simplesmente não tinha como, mas Yadav se voluntariou para liderar o ataque, ele bravamente subiu a face do penhasco e equipou cordas que permitiriam que seus aliados subissem mais facilmente depois. 
Na metade do caminho o que todos esperavam aconteceu: tudo começou a dar errado. Um bunker inimigo abriu o fogo das metralhadoras e foguetes, matando o comandante do pelotão e dois outros soldados. Apesar de ter sido atingido por várias balas na virilha e no ombro, Yadav reuniu todas as suas forças e subiu os 20 m restantes até atingir o topo do penhasco. 
Embora gravemente ferido e agora sem um comandante, ele se arrastou até o primeiro bunker e lançou uma granada, matando quatro soldados paquistaneses e neutralizando o fogo inimigo. Isso deu ao resto do pelotão a oportunidade de subir a face do penhasco atrás dele em segurança. 
Yadav então percebeu que seus aliados seriam mortos pelos soldados restantes do outro bunker. Ele então atacou o segundo bunker junto com dois de seus colegas em combate de curta distancia, matando mais quatro soldados paquistaneses. Alguns tiros acabaram acertando as moedas que Yadav havia deixado em seu bolso, o que fez as balas ricochetearem.
No total durante sua investida Yadav foi atingido por 14 balas, mas graças a ele os bunkers de Tiger Hill haviam sido capturados. Até o fim Yadav se recusou a ser evacuado até a missão estar completa. 
Após a sua morte em batalha Yadav recebeu a Param Vir Chakra, a condecoração militar mais alta da Índia. É o equivalente indiano da Medalha de Honra dos EUA.
Mas logo foi descoberto que Yadav ainda estava vivo! Ele estava se recuperando em um hospital, e foi outra pessoa com o mesmo nome que havia sido morto na missão. Ele se tornou então o indiano mais jovem da história a receber essa condecoração, com apenas 19 anos de idade.
Hoje Yadrav ainda está vivo, seus feitos viraram até mesmo filmes em Bollywood e vários sites ocidentais contaram a sua história, o que ele vai fazer daqui pra frente? Isso ninguém sabe, mas por anos ele vem dando palestras inspiradoras e até mesmo Ted Talks, mas segundo Yadav seu objetivo não é contar a sua história, mas sim a dos seus colegas que faleceram naquele dia.

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