segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Os maiores malandros, golpistas e trapaceiros que já viveram

Se tem algo que o brasileiro entende é de malandragem, mas perto desses caras aqui a gente não é nada. 
Um con artist é um "artista da enganação", um trapaceiro ou um malandro, e a história e os feitos de alguns deles são simplesmente inacreditáveis.


Você já deve ter ouvido o ditado "vender gelo pra esquimó" ou "vender areia no deserto", e Víctor Lustig era exatamente esse tipo de pessoa, sua lábia era tanta que o malandro foi capaz de vender a Torre Eiffel em Paris... duas vezes!
Víctor foi um famoso golpista do início do século XX. Uma de suas marcas registradas era a criação de máquinas para impressão de dinheiro. Claro que quando o cliente percebia que a máquina era uma farsa, ele já estava longe dali. 
Em 1925 porém ele resolveu dar a mãe de todos os golpes, ele falsificou papéis do governo francês e aproveitando-se do momento difícil que a França estava passando devido a Primeira Guerra Mundial, passou a "vender" a Torre Eiffel, que já não estava mais sendo reparada devido a falta de dinheiro do governo. 
A primeira "venda" da torre foi feita para Andre Poisson, um homem de negócios inseguro que queria ficar famoso. Quando o cliente descobriu o golpe ele ficou tão envergonhado que não quis denunciar o malandro para a polícia, só pra não passar  mais vergonha. Lustig fez outra vítima que, diferente da primeira, denunciou o vigarista para a polícia, que não encontrou Lustig. 
Outro de seus grandes feitos foi enganar ninguém menos do que Al Capone, o chefão da máfia americana. Com medo de morrer se fosse pego ele decidiu aplicar um golpe mais simples, ele pegou do gângster 50 mil dólares para "investir em ações" e deixou o dinheiro num cofre. Meses depois, voltou para informar que, infelizmente, o negócio havia falhado, mas que ele devolveria o dinheiro de Capone nota por nota. Al Capone se impressionou tanto com sua honestidade que quando o malandro disse que estava falido e não tinha como se sustentar Al deixou com ele 5 mil dólares como recompensa.
O cara era tão bom que nem a policia sabia como pega-lo, mas quando sua namorada descobriu que ele estava traindo ela, ela mesmo entregou ele para as autoridades, ele foi preso e conseguiu fugir, mas foi recapturado e em 1947 morreu de pneumonia na prisão de Alcatraz nos EUA.

Antes da internet ser inventada as pessoas podiam se safar com quase qualquer mentira, no entanto, a cara-de-pau de Gregor MacGregor se destacou até mesmo pelos padrões da época. Isso porque ele aplicou uma série de fraudes baseadas na mentira de que ele era o governante de um lugar chamado Poyais na América Central, o que era em parte verdade, no sentido de que ele recebera um trecho do deserto inóspito de um governante local que exercia controle sobre a região. 
Como resultado, Gregor conseguiu convencer um número significativo de pessoas em se tornarem "colonos", tendo sido enganados por alegações de "um ambiente hospitaleiro, nativos amigáveis e uma terra tão rica em recursos que as pessoas poderiam alimentar suas famílias por uma semana trabalhando por um único dia".
Em vez disso os compradores foram jogados em um trecho do deserto, onde uma porcentagem significativa deles morreu de malária e outras doenças até que o governante local apareceu para rescindir a doação a MacGregor por exceder seus direitos. 
Enquanto o acordo dos colonos era o golpe mais descarado da parte de MacGregor, ele executou uma série de outros baseados na mesma premissa, que inspirou outros trapaceiros a executar golpes similares. 

William Chaloner era um falsificador inglês profissional, isso em uma época em que a falsificação era um crime que poderia resultar em pena de morte, isso porque a falsificação monetária poderia reduzir a confiança do público nas moedas, o que poderia ter consequências econômicas catastróficas. 
William, como todo bom malandro, atuava em várias áreas, além de falsificar moedas ele também vendia falsas curas para vários problemas médicos. 
No final o enganador tornou-se um problema tão grande, mas tão grande, que ninguém menos do que Issac Newton teve de prende-lo. Agora se você é um falsificador tão bom que Issac Newton tem de caça-lo pessoalmente, bom... isso com certeza  era uma grande honra na época.
William foi derrubado por Issac de uma forma científica, ele conduziu uma investigação completa usando espiões, contatos e informantes antes de trazer Chaloner para um julgamento. 
Como resultado de toda a sua malandragem, não é de surpreender que Chaloner tenha sido executado em 1699, afinal não importa o quão bom de papo você é, da morte ninguém escapa.


Christophe Rocancourt já esteve na lista dos mais procurados pela polícia americana. Seu grande crime? Ele passou a perna em gente da alta sociedade de Nova York e Los Angeles. 
Nascido na França em 1967, o malandro gostava de dizer que se chamava Christopher Rockefeller e que ele era na verdade um descendente francês do ricaço americano. Mas essa era só uma das 12 identidades falsas dele. 
Christophe também se apresentava como parente da atriz Sophia Loren, do estilista Oscar de la Renta e do cineasta Dino de Laurentiis. Seu principal golpe era convencer as pessoas a deixar uma boa grana com ele para ser investida em algum esquema "ultra-rentável". 
Em 2001, Rocancourt finalmente acabou preso. No julgamento, foi acusado de fraudar 19 pessoas diferentes e condenado, mas como seus crimes não eram graves ele foi condenado a 4 anos de prisão. Ele mesmo estima que, em sua vida de golpista, arrecadou pelo menos 40 milhões de dólares, e quando ele foi preso, o golpista tinha duas Ferraris, um jipe que já tinha sido do bilionário inglês Dodi al Fayed, era dono de um andar no Regent Beverly Wilshire Hotel, no bairro mais chique de Los Angeles, e andava com um segurança a tiracolo.


Ferdinand Demara foi um impostor que ficou famoso por usar diversas identidades falsas para aplicar seus golpes. Ele utilizava os nomes de seus companheiros marinheiros para forjar uma nova vida completa. 
Quando descobriam a farsa, ele chegava ao extremo de matar quem ele estava interpretando e começava uma nova carreira com outro nome. 
Em suas vidas ele foi engenheiro civil, diretor de prisão, médico, advogado, professor, monge beneditino, editor, pesquisador de câncer  e maestro. Ele nunca aplicou golpes para conseguir dinheiro, só aproveitava o status temporário. Ele chegou a ser preso por falsidade ideológica por 18 meses.


Marcelo Nascimento da Rocha ou Victor Hugo, Juliano Silva ou Marcelo Ferrari Contti, ou qualquer outra de suas 16 identidades falsas, é conhecido por ser o maior golpista do Brasil. Ele fingiu ter uma patente maior no exército e vendeu motos que seriam leiloadas. Já fingiu ser guitarrista do grupo Engenheiros do Havaii, produtor musical de uma banda famosa, olheiro da seleção, campeão de Jiu-jitsu, policial e até líder do PCC. 
Quando esteve preso em Bangu, ele liderou uma rebelião fingindo ser da facção criminosa, e sem usar armas, conseguiu que as reivindicações dos encarcerados fossem atendidas, sua lábia também lhe permitiu escapar da cadeia. Apesar de ter passado a maior parte de seus 29 anos entre mentiras e trapaças, Marcelo só ficou famoso no final de outubro de 2001, naquele ano, foragido da polícia depois de ter sido preso no Acre transportando drogas em um avião que pilotava, deu o seu maior golpe. 
Durante quatro dias, se passando por Henrique de Oliveira ou Henrique Constantino, "o filho do dono da Gol", Marcelo Nascimento Rocha levou vida de bacana no Recifolia, o carnaval antecipado da capital pernambucana. Exibiu-se ao lado de modelos e atrizes, namorou algumas, fez amizade com atores globais e festeiros endinheirados, aproveitou as regalias de um camarote VIP, no Recifolia e das mordomias do Resort Nannai Beach. 
Por dois dias inteiros ele teve à sua disposição um jatinho e um helicóptero, sem gastar um tostão, consumiu mais de R$ 100 mil nos quatro dias de farra, deu até entrevistas no programa do Amaury Jr. Quando foi preso no Rio estava abordo do Jatinho Citation 5 (PT-OSD), a quem deu carona a Carolina Dieckmann, Marcos Frota e Ricardo Macchi e o empresário Walter Sá Cavalcante.
Marcelo Nascimento da Rocha foi preso, solto e preso novamente em 25 de abril de 2018, durante a Operação Regressus, porque teria apresentado atestados falsos para a progressão de regime. Desde 2014 era beneficiado com a prisão domiciliar, após comprovar que tinha trabalho, e vinha desde então sendo monitorado com tornozeleira eletrônica, mas tudo era apenas mais um golpe.


Quando um esquema inteiro é batizado em sua homenagem, você sabe que o malandro era bom. Esse foi o caso de Charles Ponzi, um estelionatário italiano radicado nos Estados Unidos, conhecido por ter elaborado a maior fraude do século XX, estimada em 50 bilhões de dólares. 
O italiano emigrou para os Estados Unidos em 1903 depois de abandonar os estudos na Universidade La Sapienza em Roma. Mudou-se então para o Canadá onde foi condenado a três anos de prisão por falsificação de cheques bancários. Retornou aos Estados Unidos onde se tornou um dos maiores trapaceiros de toda a história. 
Ele usou diversos nomes durante sua vida de golpista, incluindo: Carlo Ponzi, Charles Ponei, Charles P. Bianchi e Carl. Nos anos de 1920, arrecadou aproximadamente 20 milhões de dólares de investidores interessados em seu modelo de negócios, que, basicamente, era uma grande enganação que prometia lucros altos. 
A fraude por ele inventada foi batizada de Esquema Ponzi, e ela continua a ser aplicada em versões modernas até hoje, como, por exemplo, o esquema Telexfree, e o "ganhe dinheiro rápido na Internet".  
Depois de ser deportado para a Itália, Ponzi emigrou novamente, desta vez para o Brasil, onde terminou seus dias na miséria.


Milli Vanilli não foram criminosos iguais os outros dessa lista, mas se vamos falar de golpistas não podemos deixar eles de fora.
Milli Vanilli foi uma dupla de reggae e pop formada por Frank Farian na Alemanha em 1988 junto com o francês Fab Morvan e germano-americano Rob Pilatus. 
O álbum de estréia da dupla alcançou altas vendas e eles chegaram a ganhar um Grammy de Melhor Artista Estreante em 1990. Entretanto, o sucesso deles foi por água abaixo quando o prêmio foi revogado depois da bombástica revelação de que os supostos cantores não cantavam absolutamente nada no disco. 
O público começou a questionar o talento da dupla e espalhou-se o rumor de que não eram Morvan e Pilatus, os intérpretes das músicas, e que a dupla se limitava a fazer uma "representação" ao dançar nos shows.
Em 15 de Novembro de 1990, devido às dúvidas cada vez maiores a respeito da fonte do talento no grupo, bem como a insistência de Morvan e Pilatus para que os deixassem cantar no próximo álbum, ameaçando revelar todo o esquema, Farian admitiu que os dois não eram os verdadeiros intérpretes, mas sim Charles Shaw, John Davis e Brad Howell. 
Farian tinha escolhido esse grupo de pessoas para cantar as músicas mas sabia que precisava de alguém que transmitisse uma outra imagem ao público, uma imagem mais jovem, sensual e fotogênica. Assim, contratou Morvan e Pilatus, dois jovens que tinha conhecido numa discoteca em Berlim, começando uma das maiores fraudes da história da música.


Normalmente os con artists são homens, mas mulheres conseguem enganar pessoas até mais facilmente do que eles.
Cassie Chadwick era o nome de uma mulher canadense que criou um esquema para enganar outras pessoas e fazê-las acreditar que ela era a filha bastarda de Andrew Carnegie, que resultou em vários bancos e outras instituições financeiras oferecendo enormes empréstimos a altas taxas de juros, sob a crença de que eles seriam reembolsado quando ela herdasse uma parte da fortuna de Carnegie. 
Chadwick achava que por medo de constranger o ricaço nenhum banco iria ligar para ele e confirmar a identidade dela, e ela estava certa, tanto que  ela conseguiu garantir US$ 5 milhões em dívidas dos bancos em Cleveland antes que ela fosse pega.


Hoje em dia nos E.U.A as pessoas chamam os outros de ingênuos ao dizer que eles comprariam até a ponte do Brooklyn. E o motivo pra isso? Um cara realmente "vendeu" a ponte para turistas.
William McCloundy, era esse homem, o malandro vendeu a ponte na verdade mais de uma vez em sua carreira de enganador profissional, sua lábia e carisma era tudo que ele precisava.
Quando ele foi pego o enganador passou dois anos e meio de sua vida na prisão Sing-Sing.



William Jones foi um dos numerosos vigaristas que operavam nos barcos no rio Mississippi. Ele era famoso por tomar o dinheiro de trouxas com o famoso monte de três cartas. 
Jones era um personagem bastante interessante por si só. Por exemplo, ele era conhecido por ser generoso,e sempre dava dinheiro para freiras quando ele via elas nas ruas. Além disso, ele era conhecido por ter perdido tanto dinheiro contra jogadores profissionais como ele ganhou com suas mentiras e golpes, o que pode explicar por que ele morreu com a idade de 40 anos como um pobretão. 
Interessantemente ele era tão bom de lábia, que um de seus amigos desafiou os outros presentes a apostar que Jones não estava realmente no caixão de seu próprio funeral, mas ninguem aceitou a aposta porque eles realmente achavam que o golpista ainda estava vivo, um deles até disse que ele viu Jones "passar por buracos mais apertados do que isso."


Natwarlal era um artista da enganação muito conhecido que operou na Índia. Curiosamente, ele começou sua carreira como um advogado, ou seja, ele já estava acostumado a mentir e viu que ser um vigarista não era tão diferente assim. 
Algumas de suas façanhas eram comuns, como falsificar cheques e roubar dinheiro fingindo ser uma pessoa necessitada. Outras façanhas foram muito mais memoráveis, como a vez que ele vendeu a Casa do Parlamento da Índia, juntamente com todos os seus membros em exercício. Além disso, Natwarlal conseguiu escapar em nove das nove vezes que foi preso, sendo que a última vez que ele conseguiu escapar, ele era um cadeirante de 84 anos de idade na época. Como resultado, não é de admirar que Natwarlal é uma espécie de lenda na Índia, como mostrado por ele continuar a inspirar trapaceiros indianos até hoje.


E por último vamos falar do maior con artist que já viveu, o cara que inspirou o filme do Leonardo DiCaprio "Prenda Me Se For Capaz".
Hoje em dia Frank Abagnale é dono da Abagnale and Associates, uma empresa de consultoria contra fraudes financeiras, e o motivo pra ele ser tão bom nisso é que ele mesmo aplicou vários golpes em sua carreira.
Seu primeiro golpe foi fazendo cheques sem fundo, algo simples mas necessário para pagar suas próprias dividas. Isso, entretanto, funcionou até a hora que o banco parou de emitir mais cheques, o que fez com que ele abrisse mais contas em bancos diferentes, eventualmente criando novas identidades para isso. 
Durante este período ele experimentou e desenvolveu diferentes técnicas de fraude como imprimir seus próprios cheques que eram cópias quase perfeitas dos originais. Ele os usava e persuadia os bancos a liberar dinheiro para os cheques sem fundos. 
Por um período de dois anos Abagnale se disfarçou como o piloto da companhia aérea Pan Am Frank Williams para obter voos de graça pelo mundo. Mais tarde, Abagnale fingiu ser um pediatra em um hospital do estado da Geórgia com o nome falso de Frank Conners. 
Depois de fazer amizade com um médico de verdade, tornou-se supervisor residente como um favor para o amigo até que achassem alguém que pudesse pegar o emprego. Entretanto, sendo uma farsa como médico, Abagnale foi quase mandado embora após quase ter deixado um bebê morrer por inanição de oxigênio. 
Abagnale fazia com que a maioria das tarefas complicadas que deveriam ser feitas por ele ficassem na mão de outros colegas, como por exemplo, colocar ossos de uma fratura exposta no lugar. Após 11 meses, o hospital achou outro substituto e ele abandonou a vida de falso médico para o alivio de seus pacientes. 
Em cinco anos, Abagnale trabalhou sob 8 identidades diferentes, além de ter usado muitas outras para fraudar cheques, cujo volume de prejuízos passou de US$2,5 milhões em 26 países. 
Todo esse dinheiro serviu para bancar um estilo de vida em que ele namorou comissárias de bordo, comeu em restaurantes caros, comprou roupas caras, e também para preparar seus próximos golpes. 
Abagnale foi finalmente preso na França em 1969 quando uma comissária da Air France reconheceu seu rosto em um cartaz de procurado. Quando a polícia francesa o apreendeu, todos os 26 países em que cometeu fraude pediram sua extradição. 
Primeiramente ele ficou seis meses na Casa de Detenção de Perpignan na França, onde quase morreu. Depois foi extraditado para a Suécia onde ficou por um ano na Prisão de Malmö por falsidade ideológica. Mais tarde, um juiz revogou seu passaporte americano e o deportou para os Estados Unidos para prevenir futuras extradições. Abagnale foi sentenciado a 12 anos de prisão em uma penitenciária federal por várias modalidades de fraude e falsidade ideológica. 
A partir de 1974 ele passou a ter empregos legítimos. Ele fundou a Abagnale & Associates onde ensina pessoas a não cair em fraudes e golpes. Ironicamente Abagnale é agora um multimilionário, ele fez tanto dinheiro ajudando as pessoas a não caírem em golpes quanto ele fez dando os golpes.

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