terça-feira, 2 de abril de 2019

Os maiores guerreiros do mundo animal #7

No mundo sempre existiram guerras, e quando humanos entram em guerra você pode apostar que eles vão levar todo mundo com eles, isso inclui cães, macacos, elefantes, gatos e tudo que eles conseguirem adestrar.
E como alguns desses animais de guerra entraram para a história devido a sua bravura extraordinária, nada mais justo do que recontar as suas histórias aqui.
Confira mais alguns dos maiores guerreiros animais que já viveram, e se você quiser conhecer os guerreiros humanos dessa lista, clique aqui e leia essa série de matérias desde a primeira parte.

Vamos começar com Siwash, o pato marinheiro. O Primeiro Batalhão do Décimo Regimento Marinho conseguiu adquirir um pato chamado Siwash como seu mascote oficial. Supostamente um fuzileiro naval ganhou o patinho em um jogo de pôquer na Nova Zelândia e ao invés de come-lo decidiu fazer dele um animal de estimação. 
Siwash se adaptou bem a vida de marinheiro, ele até mesmo bebia cerveja e dividia refeições com os outros fuzileiros, quando chegou a guerra ele acompanhou eles até a Batalha de Tarawa em 1943, onde o animal se envolveu em um combate corpo-a-corpo com um inimigo, um galo japonês. Uma citação foi publicada na revista LIFE um ano depois:
"Por ação corajosa e feridas recebidas em Tarawa, nas Ilhas Gilbert, em novembro de 1943. Com total desrespeito por sua própria segurança pessoal, Siwash, ao chegar à praia, sem hesitação, enfrentou o inimigo em um combate feroz, a saber, um galo de ascendência japonesa. E embora ferido na cabeça por repetidas bicadas, ele logo derrotou a oposição. Ele recusou ajuda médica até que todos os membros feridos de sua seção tivessem sido cuidados."
Após a guerra o trabalho de Siwash ainda não havia acabado, ele passou a trabalhar como recrutador oficial do exército para a guerra das Coréias, ajudando a encher os rankings do exército um pouquinho de cada vez.
Siwash foi referido como "ele" durante a guerra mas foi referido como "ela" depois de sua aposentadoria, quando ela foi mandada ao zoológico Lincoln Park. É possível que os soldados sabiam que o pato era fêmea, mas eles tiveram de esconder seu gênero para que ela pudesse servir. 
Siwash viveu até 1954, quando morreu de uma doença no fígado 11 anos depois de se juntar aos fuzileiros. De acordo com o obituário da pata, a morte dela não tinha ligação com o "gosto pela cerveja". 
Um funeral foi realizado na loja de um taxidermista em homenagem ao animal.


A história de Simon começou quando ele foi encontrado vagando pelas docas de Hong Kong em março de 1948 por George Hickinbottom, um marinheiro de apenas 17 anos de idade mas membro da tripulação da fragata britânica HMS Amethyst, estacionada na cidade no final da década de 1940. 
Acredita-se que Simon tinha aproximadamente um ano de idade nessa época e estava muito subnutrido e doente, sem contar que um gato naquela época era uma boa refeição, por isso ele devia estar se escondendo a meses de caçadores. 
Hickinbottom contrabandeou o gato a bordo do navio, e Simon logo se entrosou com a tripulação e também os oficiais, particularmente porque ele era perito em pegar e matar ratos nos conveses inferiores, o que virou seu trabalho oficial em pouco tempo. 
Simon rapidamente ganhou fama de atrevido, deixando "presentinhos" de ratos mortos nas camas dos marinheiros e dormindo no quarto do capitão mesmo sem permissão pra isso, ele podia ser uma marinheiro mas ainda era um gato né?
A tripulação rapidamente passou a ver Simon como um mascote de boa sorte, e quando o comandante do navio mudou para outro posto em 1948, ele fez questão de deixar o gato para seu sucessor, o Tenente Comandante Bernard Skinner, que adorou o gatinho logo de cara e deixou ele continuar a viver no navio. 
Além de caçar ratos o animal passou a ir visitar marinheiros machucados e doentes na enfermaria para levantar a moral deles, isso só o deixou mais popular entre a tripulação.
No entanto, a primeira missão de Skinner no comando do navio foi viajar pelo rio Yangtze até Nanjing para substituir o navio de serviço lá, o HMS Consort. Na metade do rio, o navio se envolveu no Incidente de Ametista, quando as baterias de armas comunistas chinesas abriram fogo contra a fragata. Uma das primeiras rodadas rasgou a cabine do capitão, ferindo gravemente Simon. O tenente comandante Skinner morreu de seus ferimentos logo após o ataque.
O gato gravemente ferido rastejou até o convés e foi levado às pressas para a enfermaria médica, onde a equipe médica sobrevivente limpou suas queimaduras e removeu quatro pedaços de estilhaços de seu corpinho, mas sendo realistas eles não esperavam que ele sobrevivesse a noite. 
Mas contra todas as probabilidades Simon conseguiu sobreviver, e após um período de recuperação, retornou aos seus antigos deveres, apesar da indiferença que enfrentou do novo capitão-tenente-comandante John Kerans. 
Enquanto ancorado no rio, o navio tinha sido invadido por ratos, e Simon assumiu a tarefa de removê-los com vigor, bem como elevar o moral dos marinheiros.
Após a fuga do navio do Yangtze, Simon tornou-se uma celebridade instantânea, elogiado no noticiário britânico e mundial, e presenteado com a Medalha de Dickin, a maior honra que um animal de guerra podia receber na época. Até 2018 Simon foi o único gato a ganhar essa medalha. Ele também foi premiado com uma medalha da Cruz Azul e a medalha da Campanha Ametista. 
Milhares de cartas foram escritas para ele, tanto que o tenente Stewart Hett foi nomeado "oficial do gato" para lidar com o posto de Simon.
Em todos os portos em que a Ametista parou em sua rota para casa, Simon foi presenteado com honras e uma recepção especial foi feita para ele em Plymouth em novembro, quando o navio retornou. Simon era, no entanto, como todos os animais que entravam no Reino Unido, sujeito a regulamentos de quarentena, e foi imediatamente enviado para um centro de animais em Surrey.
Infelizmente em 1949, aos dois aninhos de idade, Simon contraiu um vírus e apesar das atenções da equipe médica e milhares de simpatizantes, o gato herói faleceu em 28 de novembro de 1949 de uma complicação de infecção viral causada por suas feridas de guerra. Centenas, incluindo toda a tripulação do HMS Amethyst, compareceram ao seu funeral no PDSA Ilford Animal Cemetery, no leste de Londres. 
Simon até hoje é comemorado como um herói de guerra por aqueles que conhecem a sua história, tanto que em 1950, o escritor Paul Gallico dedicou seu livro Jennie a Simon.


Tirpitz era um verdadeiro porco de guerra, sua história começa a bordo de um navio alemão, naquela época porcos eram frequentemente mantidos a bordo de navios de guerra para fornecer carne fresca para a tripulação, em outras palavras o porquinho estava lá para ser comido. 
Tirpitz estava a bordo do SMS Dresden quando o navio foi ordenado a ir para o Atlântico Sul para se juntar às forças do vice-almirante Maximilian von Spee para atacar os mercadores aliados. 
O primeiro encontro do navio com o HMS Glasgow foi na Batalha de Coronel, onde a frota alemã saiu vitoriosa, e o porquinho ainda estava lá esperando para ser abatido, mas sua salvação iria chegar. 
Em uma segunda batalha os alemães perderam, e foram obrigados a fugir do navio, mas o porquinho Tirpitz foi deixado a bordo enquanto a fragata afundava.
Mas ele não perdeu a cabeça, o porquinho foi capaz de fazer o seu caminho para o convés e nadar para longe do Dresden. Ele nadou para perto dos navios da Marinha Real e foi visto uma hora depois por um oficial a bordo do HMS Glasgow. O oficial sem pensar duas vezes entrou na água para salvar o porco, mas o assustado Tirpitz quase o afogou, no fim ele conseguiu subir o leitão até o navio. 
O animal foi adotado pela tripulação do HMS Glasgow, que fez dele seu mascote oficial, e foram eles que o chamaram de "Tirpitz", em "homenagem" a Alfred von Tirpitz, o almirante alemão e secretário de Estado do Gabinete Naval Imperial. 
Tirpitz permaneceu com o Glasgow por um ano e foi colocado em quarentena até que ele pudesse ser adotado de vez pelo suboficial que o viu pela primeira vez no mar.
O jornal The Times relatou na época:
"O animal, que é conhecido como "Tirpitz", já pertenceu ao cruzador leve alemão Dresden, e quando, durante a ação com Glasgow, Kent e Orama, os alemães fugiram para a costa depois de causar uma explosão que afundou Dresden, e 'Tirpitz' foi deixado para o seu destino, o porco nadou corajosamente e foi visto nadando perto de Glasgow. Dois marinheiros mergulharam no mar e o animal foi trazido em segurança a bordo. A companhia do navio do Glasgow concedeu a 'Tirpitz' a 'Cruz de Ferro' por ter permanecido no navio depois que seus companheiros partiram, e se tornou um ótimo animal de estimação."
Mas no fim Tirpitz não conseguiu fugir de seu destino, ele acabou sendo leiloado para caridade como carne de porco em 1919. Ele levantou £1.785 para a Cruz Vermelha Britânica. Tirpitz foi comprado por William Cavendish-Bentinck, o 6º Duque de Portland, que doou a cabeça de Tirpitz ao Imperial War Museum. A cabeça de Tirpitz foi exposta como parte da exposição original do museu no The Crystal Palace em 1920, e também apareceu na exposição temporária do museu em 2006, 'The Animals' War'. 
Suas patas foram dadas ao navio HMS Glasgow, mas depois foram parar no museu.
No fim o porquinho não conseguiu escapar da morte, mas sua história é contada até hoje e homenagens ainda são feitas em sua honra.

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